Projeto Nosso Agro aproxima estudantes da realidade do campo em visitas a propriedades e empresas
Alunos de Linhares conheceram da lavoura à embalagem as etapas da produção de banana. A atividade integra um ciclo de quatro visitas do Projeto Nosso Agro.

Alunos de Linhares conhecem produção de banana da lavoura à embalagem
Visita à Agro Bianvirc apresentou manejo, colheita e beneficiamento da fruta; atividade integra ciclo de quatro experiências educativas com escolas públicas
Por Redação Valor do Agro
Estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Prefeito Roberto Calmon, localizada no bairro Aviso, em Linhares, acompanharam as etapas percorridas pela banana antes de chegar aos supermercados e à mesa do consumidor.
A atividade foi realizada na Agro Bianvirc e integra o Projeto Nosso Agro, desenvolvido pela Associação Agricultura Forte para aproximar crianças e adolescentes da realidade da produção agropecuária capixaba.
Durante a visita, os alunos conheceram o manejo do bananal, o ensacamento dos cachos e a colheita. Depois, acompanharam os procedimentos realizados após a retirada das frutas do campo, como lavagem, seleção e embalagem.
Essas etapas ajudam a preservar a qualidade do produto, retirar frutas que não atendem aos padrões comerciais e preparar os lotes para transporte e distribuição.
“O passeio leva a gente para explorar a agricultura e conhecer mais os nossos produtos”, relatou a estudante Roberta Souza.
Origem dos alimentos vira conteúdo prático
A proposta é permitir que os alunos observem processos que normalmente permanecem fora da rotina de quem vive em áreas urbanas. Além do cultivo, a atividade apresenta o trabalho, os profissionais, a tecnologia e os cuidados necessários para que um alimento chegue ao consumidor.
Segundo Fernanda Marin, secretária-executiva da Associação Agricultura Forte, as visitas procuram fortalecer a conexão entre campo e cidade e mostrar às novas gerações que existem pesquisa, planejamento e diferentes etapas de trabalho por trás dos produtos encontrados nas prateleiras.
As ações também abordam conservação do solo, disponibilidade de água, vegetação, biodiversidade, segurança dos alimentos e responsabilidade com as pessoas envolvidas na produção.
Projeto começou com seis cadeias produtivas
O Nosso Agro começou em 2024 com conteúdos e atividades presenciais relacionados às cadeias do café, cacau, eucalipto, mamão, banana e pimenta-do-reino. Naquele primeiro momento, foram produzidos seis vídeos voltados principalmente ao público jovem.
A etapa desenvolvida em 2026 ampliou as ações presenciais e prevê quatro visitas de estudantes de escolas públicas a propriedades rurais e agroindústrias. As atividades contam com acompanhamento técnico e registro audiovisual para que o conteúdo também seja divulgado nas plataformas digitais do projeto.
O plano de trabalho protocolado na Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag) estabelece orçamento de R$ 230 mil para um conjunto mais amplo de ações de comunicação, educação e capacitação.
Desse total, R$ 35,8 mil estão previstos para as quatro visitas escolares, incluindo planejamento, transporte, acompanhamento das turmas e produção audiovisual. Os demais recursos foram distribuídos entre um curso de gestão, cinco seminários técnicos e um evento institucional.
Os valores representam a programação registrada no documento e não significam, necessariamente, que todos os recursos já tenham sido executados.
Do cacau à produção de banana
Antes da experiência na Agro Bianvirc, aproximadamente 25 estudantes da mesma escola participaram, em 11 de setembro, de uma visita à Fazenda São Luís, também em Linhares.
Na propriedade, o grupo conheceu o cultivo do cacau e etapas do beneficiamento das amêndoas, como tratamento e secagem. Os alunos também observaram uma lavoura implantada em área de Mata Atlântica e discutiram a relação entre produção, conservação ambiental e biodiversidade.
A sequência permite que os estudantes comparem cadeias produtivas diferentes. Enquanto a visita à Fazenda São Luís apresentou o cultivo do cacau e a preparação das amêndoas, a experiência mais recente mostrou o percurso da banana entre o bananal, a seleção e a embalagem.
Próximas visitas incluem agroindústria e sistema integrado
A próxima atividade anunciada será realizada na empresa 4 Estações, que atua na produção de sucos e água de coco e deverá receber estudantes de Sooretama.
O ciclo será encerrado na Fazenda Três Marias, onde os participantes conhecerão a integração lavoura-pecuária-floresta, conhecida pela sigla ILPF.
Nesse modelo, atividades agrícolas, pecuárias e florestais são realizadas na mesma área, de forma consorciada, em rotação ou sucessão. A estratégia busca melhorar o aproveitamento da terra, diversificar a produção e criar benefícios conjuntos entre os diferentes componentes da propriedade.
O plano de trabalho estabelece 20 de dezembro de 2026 como prazo para o encerramento das ações previstas. As datas das duas próximas visitas ainda não foram divulgadas.
