Mamão havaí cai até 36% no Norte do ES e no Sul da Bahia
Mamão havaí caiu 36% no Sul da Bahia e 24% no Norte do Espírito Santo entre 14 e 18 de setembro. Maior oferta pressionou o mercado, enquanto a chuva exige atenção.

Maior disponibilidade da fruta reduziu as cotações entre 14 e 18 de setembro. Chuvas ainda não afetaram a oferta, mas aumentam a preocupação com a qualidade.
O aumento da oferta pressionou os preços do mamão havaí nas duas principais regiões produtoras do Espírito Santo e da Bahia entre 14 e 18 de setembro. A queda chegou a 36% no Sul da Bahia e a 24% no Norte capixaba, segundo levantamento do Hortifruti/Cepea.
Na região de Teixeira de Freitas, o mamão havaí do tipo 12-18 foi comercializado, em média, por R$ 1,11 o quilo. No Norte do Espírito Santo, a mesma classificação alcançou R$ 1,20 por quilo.
Apesar do volume elevado de chuva registrado nas duas regiões, produtores consultados pelo Cepea não relataram, até o período do levantamento, impactos expressivos sobre o desenvolvimento das lavouras. A maior disponibilidade de frutas, e não a precipitação, foi apontada como o fator imediato de pressão sobre os preços.
Queda representa até R$ 620 por tonelada
A partir dos percentuais divulgados, o preço médio da semana anterior pode ser estimado em aproximadamente R$ 1,73 por quilo no Sul da Bahia e R$ 1,58 no Norte do Espírito Santo.
Isso significa uma redução próxima de R$ 0,62 por quilo para o produtor sul-baiano e de R$ 0,38 por quilo para o produtor capixaba.
Em uma comercialização hipotética de uma tonelada, mantendo o mesmo padrão da fruta e as demais condições de negociação, a queda corresponderia a uma diferença bruta aproximada de R$ 620 no Sul da Bahia e de R$ 380 no Norte capixaba.
O cálculo não representa perda líquida, pois não considera custos, classificação, qualidade, embalagem, transporte ou condições específicas de cada negócio. Ele serve para dimensionar o efeito da oscilação semanal sobre a receita bruta.
Mesmo com uma retração proporcionalmente menor, o preço no Norte do Espírito Santo ficou apenas R$ 0,09 por quilo acima do valor observado no Sul da Bahia.
Chuva ainda não alterou o manejo
Em Linhares, o volume registrado até 18 de setembro estava 60% acima do esperado para o mês, segundo dados da Climatempo citados pelo Cepea. Na região de Teixeira de Freitas, o acumulado superava em mais de 70% a referência esperada para setembro.
Até o momento do levantamento, as precipitações não provocaram alterações relevantes no manejo ou na oferta exclusivamente por causa das condições climáticas. Em algumas propriedades, a chuva foi considerada positiva por melhorar a disponibilidade de água no solo e favorecer o desenvolvimento das frutas.
O efeito da precipitação, portanto, precisa ser separado do movimento de mercado: a queda observada nas cotações foi relacionada à maior quantidade de mamão disponível para comercialização.
Excesso de umidade exige acompanhamento
A continuidade das chuvas, entretanto, pode aumentar a umidade nas lavouras e favorecer doenças fúngicas e manchas nas frutas. Esse risco ainda é uma possibilidade para as próximas semanas, e não uma perda generalizada já constatada.
Eventuais problemas de qualidade podem elevar o descarte, reduzir o aproveitamento comercial e ampliar a diferença de preços entre lotes. Por isso, além do volume colhido, produtores e compradores deverão acompanhar a sanidade, o aspecto das frutas e a evolução das precipitações.
O comportamento das próximas cotações dependerá do equilíbrio entre a quantidade de mamão disponível e a qualidade dos lotes que chegarem ao mercado.
Fonte e transparência: notícia da Redação Valor do Agro elaborada a partir do levantamento do Hortifruti/Cepea publicado em 18 de setembro de 2026. Os cálculos de preços anteriores, variação em reais e impacto hipotético por tonelada foram realizados pela redação com base nos valores e percentuais divulgados. Os dados de chuva foram atribuídos pelo Cepea à Climatempo. Consulta realizada em 23 de setembro de 2026.
