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Primavera com chuva irregular exige revisão da irrigação no Espírito Santo

Primavera capixaba deve ter calor acima da média e chuva irregular. Produtor precisa combinar pluviômetro, umidade do solo, demanda da cultura e manutenção do sistema.

Redação Valor do Agro25/09/20265 min de leitura
Primavera com chuva irregular exige revisão da irrigação no Espírito Santo
Imagem ilustrativa gerada por IA

Incaper prevê temperaturas acima da média e possível déficit de até 50 milímetros; manejo deve considerar chuva efetiva, umidade do solo e demanda de cada cultura

A previsão de temperaturas acima da média e chuvas irregulares durante a primavera de 2026 exige atenção dos produtores irrigantes do Espírito Santo. O retorno das precipitações não significa que os sistemas possam ser desligados automaticamente, principalmente quando a chuva ocorre de forma localizada ou é seguida por períodos secos.

O prognóstico do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) indica possibilidade de déficit de precipitação de até aproximadamente 50 milímetros em grande parte do Estado entre outubro e dezembro.

A irregularidade deve ser mais observada nas regiões Norte, Noroeste e em áreas do interior capixaba. Nessas localidades, podem ocorrer intervalos prolongados sem chuva, intercalados por precipitações mais intensas.

Isso significa que uma propriedade pode encerrar o trimestre com volume próximo da média, mas ainda enfrentar períodos de baixa disponibilidade de água no solo.

Chuva registrada não é igual à água disponível

Para decidir se a irrigação pode ser reduzida ou interrompida, não basta observar que choveu. É necessário considerar quanto precipitou, a intensidade da chuva, o tipo de solo, o relevo, a cobertura vegetal e a profundidade das raízes.

Parte da água pode escoar superficialmente, evaporar ou permanecer fora da região explorada pelas raízes. A parcela que infiltra e fica efetivamente disponível para a cultura é chamada de chuva efetiva.

O engenheiro agrônomo Elídio Torezani, diretor da Hydra Irrigações, empresa de Linhares que comercializa equipamentos e desenvolve projetos de irrigação, recomenda que o produtor ajuste o manejo conforme as condições observadas na própria lavoura.

Segundo Torezani, manter a mesma programação durante todo o ano pode resultar tanto em falta quanto em excesso de água. A avaliação precisa acompanhar a cultura, o estágio de desenvolvimento, o solo e as mudanças meteorológicas.

Evapotranspiração ajuda a calcular a demanda

A temperatura, a radiação solar, a umidade do ar e o vento interferem na perda de água pela lavoura. Esse processo reúne a evaporação da água do solo e a transpiração das plantas e é chamado de evapotranspiração.

De acordo com a Embrapa, a necessidade hídrica pode ser estimada pela evapotranspiração da cultura, conhecida pela sigla ETc. O cálculo combina a demanda atmosférica com um coeficiente que varia conforme a espécie cultivada e a fase de desenvolvimento.

Por isso, duas culturas instaladas na mesma propriedade podem precisar de lâminas diferentes. Uma lavoura em formação também pode apresentar demanda distinta de uma área adulta em produção.

No Espírito Santo, não existe uma programação única que possa ser aplicada da mesma maneira ao café conilon, ao mamão, à pimenta-do-reino, ao cacau e às hortaliças. O manejo deve ser definido para cada área, preferencialmente com acompanhamento técnico.

Quatro informações orientam a decisão

O ajuste da irrigação na primavera pode combinar quatro conjuntos de informações:

  • Chuva na propriedade: o pluviômetro permite registrar o volume recebido, evitando decisões baseadas apenas na percepção de que “choveu bastante”.
  • Umidade do solo: sensores, tensiômetros ou avaliações técnicas ajudam a verificar se existe água disponível na região das raízes.
  • Demanda da cultura: espécie, idade, fase produtiva e condições meteorológicas alteram a quantidade necessária.
  • Histórico da irrigação: registrar datas, duração e volume aplicado facilita a comparação com chuva, resposta da lavoura e consumo de energia.

A decisão não deve ser baseada exclusivamente na previsão do tempo. A previsão auxilia o planejamento, enquanto a medição da chuva e da umidade mostra o que efetivamente aconteceu na propriedade.

Sistema precisa distribuir água uniformemente

A transição de estação também pode ser usada para revisar o equipamento. Filtros sujos, emissores obstruídos, vazamentos e diferenças de pressão podem fazer com que algumas plantas recebam água em excesso e outras permaneçam com deficiência.

A manutenção deve incluir a verificação de filtros, bombas, tubulações, conexões, válvulas, emissores e equipamentos elétricos. Também é importante observar se a pressão e a vazão permanecem uniformes nos diferentes setores.

Em sistemas de gotejamento e microaspersão, pequenas obstruções podem alterar a distribuição sem que o problema seja facilmente percebido. Quando houver perda de uniformidade ou mudança relevante de pressão, a avaliação deve ser feita por profissional capacitado.

Captação deve estar regularizada

Além do controle agronômico, o produtor precisa verificar a situação da captação de água. No Espírito Santo, a Agerh é responsável pela análise e emissão das outorgas para o uso de recursos hídricos de domínio estadual.

As regras e os limites para dispensa variam conforme a região hidrográfica, a vazão e o tipo de captação. Portanto, o produtor não deve presumir que o uso está dispensado de autorização apenas por se tratar de uma propriedade rural ou de um volume considerado pequeno.

A documentação, as condições estabelecidas na outorga e possíveis restrições temporárias devem ser conferidas antes de ampliar a área irrigada ou modificar a captação.

Com a possibilidade de calor mais intenso e intervalos secos durante a primavera, o acompanhamento precisa ser contínuo. O produtor pode consultar as previsões, o balanço hídrico e os dados agrometeorológicos disponibilizados pelo Incaper, além de observar a lavoura e medir as condições dentro da propriedade.

Redação Valor do Agro

Fontes e transparência

O material original é um release da Hydra Irrigações, reproduzido por diferentes veículos. As declarações de Elídio Torezani não foram obtidas diretamente pelo Valor do Agro.

O prognóstico climático atribuído ao Incaper prevê temperaturas acima da média, chuva irregular e possível déficit de até 50 milímetros durante a primavera capixaba.

A explicação sobre evapotranspiração e necessidade hídrica foi baseada em publicação técnica da Embrapa.

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