Primavera terá calor acima da média e chuva irregular no Espírito Santo
Incaper prevê calor acima da média e chuva irregular no ES, com déficit de até 50 mm e risco de veranicos entre outubro e dezembro.

Déficit pode chegar a 50 milímetros entre outubro e dezembro, com maior risco de veranicos no Norte, Noroeste e em áreas do interior capixaba
Por Redação Valor do Agro
A primavera de 2026 deve ter temperaturas acima da média e chuva irregular no Espírito Santo, segundo prognóstico da Coordenação de Meteorologia do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, o Incaper.
A projeção para o trimestre de outubro a dezembro indica possibilidade de precipitação até aproximadamente 50 milímetros abaixo da média em grande parte do território capixaba. As regiões Norte e Noroeste e outras áreas do interior apresentam maior sinal de redução das chuvas.
A estação começou na terça-feira (22), mas o período analisado pelo prognóstico climático compreende os meses de outubro, novembro e dezembro.
Déficit de 50 milímetros não representa o total de chuva
A estimativa de déficit de até 50 milímetros não significa que choverá apenas esse volume durante toda a primavera. O número representa a possível diferença entre a chuva prevista e a média climatológica do trimestre.
Uma área que historicamente registra determinado acumulado pode, por exemplo, terminar o período com aproximadamente 50 milímetros a menos. O volume efetivo dependerá da região e da atuação dos sistemas meteorológicos ao longo dos próximos meses.
Outro ponto de atenção é a distribuição da precipitação. Mesmo quando o acumulado trimestral se aproxima da média, a chuva pode ficar concentrada em poucos episódios, separados por intervalos prolongados de tempo seco.
Para a agricultura, vários dias sem precipitação durante uma fase crítica da cultura podem causar impactos mesmo que uma chuva forte, ocorrida posteriormente, eleve o acumulado mensal.
Norte e Noroeste exigem maior acompanhamento
A irregularidade prevista merece atenção especial no Norte e no Noroeste capixaba, onde estão concentradas atividades como café conilon, pimenta-do-reino, mamão, pecuária e outras culturas dependentes de irrigação.
Temperaturas mais altas aumentam a evapotranspiração, processo de perda de água do solo e das plantas para a atmosfera. Com isso, uma mesma lavoura pode necessitar de reposição de água mais frequente, dependendo do tipo de solo, da fase da cultura e das condições locais.
No café conilon, a disponibilidade de água durante a floração e o pegamento dos frutos influencia a formação da próxima safra. No arábica, a chuva mal distribuída pode reduzir a uniformidade das floradas.
Nas áreas de pimenta-do-reino e mamão, o cenário aumenta a importância do monitoramento da umidade do solo e da eficiência dos sistemas de irrigação. Episódios concentrados de chuva também podem criar períodos de elevada umidade, exigindo acompanhamento fitossanitário.
Na pecuária, intervalos secos prolongados podem retardar a recuperação das pastagens e limitar a oferta de forragem. O efeito dependerá da condição anterior do pasto, da capacidade de retenção de água do solo e do volume efetivamente registrado em cada propriedade.
El Niño muito forte tem probabilidade elevada
O prognóstico ocorre em um cenário de fortalecimento do El Niño. Boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, com informações de diferentes órgãos federais, apontou probabilidade superior a 90% de um evento muito forte no trimestre de setembro a novembro.
Os modelos também indicaram 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027. As anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial podem superar 2 °C entre a primavera e o verão.
Esses percentuais representam resultados de modelos climáticos e devem ser atualizados conforme a evolução das condições do oceano e da atmosfera.
A intensidade do El Niño também não determina, isoladamente, quanto choverá em uma propriedade. No Espírito Santo, a distribuição das precipitações depende da passagem de frentes frias, da umidade transportada da Amazônia, da posição da Zona de Convergência do Atlântico Sul e de outros sistemas atmosféricos.
Isso explica por que podem ocorrer episódios de chuva intensa mesmo dentro de um trimestre com precipitação abaixo da média.
Planejamento deve considerar possíveis veranicos
O Incaper recomenda que os produtores acompanhem regularmente a chuva registrada, a temperatura, a umidade do solo e a disponibilidade de água nos reservatórios e mananciais utilizados pela propriedade.
Para o planejamento das atividades, os principais pontos de atenção são:
- verificar a umidade do solo antes de iniciar plantios;
- considerar a possibilidade de veranicos durante a germinação e o estabelecimento das culturas;
- revisar o funcionamento e a uniformidade dos sistemas de irrigação;
- ajustar a reposição de água às condições do solo e à necessidade da cultura;
- acompanhar o estado das pastagens e a disponibilidade de alimento para os animais;
- manter atenção aos boletins de curto prazo, principalmente diante de previsão de chuva forte.
A previsão sazonal serve para orientar decisões gerais, como organização do plantio, disponibilidade hídrica e planejamento da irrigação. Ela não permite indicar o dia em que choverá nem o volume que será registrado em cada propriedade.
Por isso, as decisões operacionais devem combinar o prognóstico trimestral com previsões meteorológicas de curto prazo, observações na propriedade e orientação técnica.
