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Demanda enfraquece e preços dos ovos recuam na segunda quinzena de agosto

Preços dos ovos recuam na segunda quinzena de agosto com a queda da demanda. Em Santa Maria de Jetibá, a caixa do ovo branco caiu 2,99%, segundo o Cepea.

Tiago Francisco de Jesus24/08/20264 min de leitura
Demanda enfraquece e preços dos ovos recuam na segunda quinzena de agosto
Imagem ilustrativa gerada por IA

Atacadistas e varejistas ampliaram a pressão por descontos; em Santa Maria de Jetibá, caixa do ovo branco caiu 2,99% em um dia, enquanto oferta controlada limitou baixas mais intensas

Os preços dos ovos perderam força na segunda quinzena de agosto. Depois de permanecerem relativamente estáveis durante a primeira metade do mês, as cotações começaram a recuar nas regiões produtoras e nos principais centros consumidores acompanhados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A pressão veio principalmente do enfraquecimento das vendas, movimento recorrente na segunda metade do mês. Com menor necessidade de reposição, atacadistas e varejistas intensificaram os pedidos de descontos.

Parte dos produtores aceitou negociar por valores mais baixos para manter o escoamento e evitar o crescimento dos estoques nas granjas. A oferta controlada em algumas regiões, entretanto, impediu uma desvalorização ainda mais expressiva.

O movimento foi registrado pelo Cepea em levantamento divulgado no dia 21 de agosto.

Ovo branco cai em Santa Maria de Jetibá

Na principal região produtora do Espírito Santo, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos tipo extra foi negociada, em média, por R$ 132,74 no dia 21 de agosto. O valor representa queda diária de 2,99% na modalidade FOB, em que o comprador assume o transporte a partir da origem.

No dia anterior, a mesma caixa havia sido comercializada por R$ 136,83.

Os ovos vermelhos permaneceram cotados a R$ 164,03 por caixa em Santa Maria de Jetibá, mostrando que a intensidade dos ajustes varia de acordo com o tipo de produto e a disponibilidade em cada praça.

Conforme o indicador diário do Cepea, as cotações em 21 de agosto foram:

  • Santa Maria de Jetibá: R$ 132,74 para ovos brancos e R$ 164,03 para vermelhos;
  • Bastos: R$ 123,87 para brancos e R$ 134,31 para vermelhos;
  • Grande São Paulo: R$ 131,07 para brancos e R$ 144,68 para vermelhos;
  • Grande Belo Horizonte: R$ 131,67 para brancos e R$ 147,63 para vermelhos;
  • Recife: R$ 144,34 para brancos e R$ 149,73 para vermelhos.

Os valores correspondem a ovos comerciais, em caixas com 30 dúzias e pagamento à vista. As modalidades de negociação variam entre FOB, com retirada na região produtora, e CIF, quando o transporte até o destino está incluído.

Segunda quinzena costuma ter menor consumo

O mercado de ovos costuma apresentar maior movimentação no início de cada mês, quando o pagamento de salários aumenta o poder de compra das famílias e estimula a reposição dos estoques no varejo.

Com o avanço das semanas, o orçamento dos consumidores fica mais restrito e as vendas tendem a desacelerar. Diante dessa redução, supermercados, atacadistas e distribuidores diminuem os pedidos ou buscam condições mais favoráveis nas negociações.

Como a produção ocorre continuamente, o avicultor precisa manter o fluxo de comercialização. O aumento dos estoques pode comprometer a qualidade e ampliar os custos de armazenamento, levando os produtores a conceder descontos para garantir a saída do produto.

Nesta segunda quinzena de agosto, a menor liquidez foi suficiente para pressionar as cotações, mesmo sem um crescimento generalizado da oferta.

Oferta controlada limita intensidade da queda

Apesar da pressão dos compradores, o Cepea identificou uma disponibilidade ajustada em diversas regiões. Esse equilíbrio impediu que os preços recuassem com maior intensidade em algumas praças.

O comportamento também explica a diferença entre os ovos brancos e vermelhos. A menor disponibilidade de determinado tipo ou classificação pode sustentar os valores mesmo durante períodos de consumo mais fraco.

A continuidade do movimento dependerá do ritmo de reposição dos estoques pelo varejo e da quantidade de ovos disponível nas granjas. A virada do mês costuma favorecer uma recuperação da demanda, mas a reação dos preços dependerá do equilíbrio entre consumo e oferta.

Espírito Santo responde por 8% da produção nacional

A queda das cotações tem importância especial para o Espírito Santo, um dos maiores polos brasileiros de avicultura de postura.

Em 2025, as granjas capixabas produziram aproximadamente 379,5 milhões de dúzias de ovos, crescimento de 1,4% sobre o ano anterior. O Estado manteve a quarta posição no ranking nacional, com participação próxima de 8% e um plantel de 16,4 milhões de galinhas poedeiras, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura.

Santa Maria de Jetibá concentra grande parte dessa produção e é reconhecida como o maior município produtor de ovos do Brasil. Por isso, as oscilações nas cotações afetam diretamente a renda das propriedades, o funcionamento das unidades de classificação e a economia da região Serrana.

Para os avicultores, o cenário exige atenção não apenas aos preços de venda, mas também aos custos de milho, farelo de soja, energia, embalagens, mão de obra e transporte. Quando as cotações recuam sem uma redução proporcional nas despesas, as margens da atividade ficam mais pressionadas.

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