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Gotejamento com manejo pode reduzir desperdício de água nas lavouras de café

Gotejamento pode reduzir o uso de água no café, mas a economia depende do manejo. Experiência no Norte do ES e estudo técnico mostram a importância da medição.

Redação Valor do Agro20/10/20264 min de leitura
Gotejamento com manejo pode reduzir desperdício de água nas lavouras de café
Imagem ilustrativa gerada por IA

Referências apresentadas pela Hydra indicam economia superior a 30%, mas volume necessário varia conforme clima, solo e fase de desenvolvimento das plantas

A adoção da irrigação por gotejamento, acompanhada do controle diário da necessidade hídrica das plantas, pode reduzir o volume de água utilizado nas lavouras de café. Estimativas apresentadas pela Hydra Irrigações apontam que o consumo diário durante o verão pode passar de aproximadamente 60 mil litros por hectare, na aspersão, para 40 mil litros no gotejamento.

A diferença representa uma redução estimada de 33,3%. Quando o sistema é ajustado conforme a necessidade da lavoura, o volume pode chegar a cerca de 25 mil litros por hectare por dia, segundo o engenheiro agrônomo e diretor executivo da empresa, Elídio Torezani. Nesse cenário, a redução em relação à referência da aspersão seria de aproximadamente 58%.

Esses valores, entretanto, não devem ser interpretados como uma recomendação igual para todas as propriedades. A quantidade necessária depende de fatores como temperatura, umidade do ar, ocorrência de chuvas, tipo de solo, idade e fase do cafeeiro, espaçamento das plantas e eficiência do sistema.

O que os volumes representam na lavoura

Cada milímetro de água aplicado sobre um hectare corresponde a 10 mil litros. Dessa forma, as referências apresentadas equivalem a lâminas diárias de 6 milímetros na aspersão, 4 milímetros no gotejamento e 2,5 milímetros quando há um manejo mais ajustado.

Essa conversão ajuda o produtor a comparar o volume utilizado com a demanda calculada para a cultura. O objetivo não é simplesmente estabelecer a menor lâmina possível, mas aplicar a quantidade necessária sem provocar deficiência hídrica nem perdas por excesso, evaporação, vazamentos ou distribuição irregular.

Uma pesquisa publicada em 2026 e disponível no repositório do Incaper avaliou o uso de tensiometria remota em uma lavoura de café conilon em São Mateus. Durante o período analisado, a mediana da lâmina demandada foi de 3,03 milímetros por dia, enquanto a aplicada ficou em 3,05 milímetros — aproximadamente 30,3 mil e 30,5 mil litros por hectare, respectivamente.

Os resultados variaram entre os meses, demonstrando que a necessidade da lavoura muda conforme as condições climáticas. O estudo encontrou forte correspondência entre a demanda calculada e a água efetivamente aplicada pelo sistema monitorado. biblioteca.incaper.es.gov.br

Experiência em 90 hectares de conilon

Em São Domingos do Norte, o produtor Isaac Venturim utiliza gotejamento nos 90 hectares cultivados com café conilon. Segundo ele, a mudança permitiu distribuir a água de acordo com a necessidade diária das plantas e ampliar o parque cafeeiro sem elevar o consumo na mesma proporção.

Antes da adoção do sistema, a propriedade não possuía uma medição precisa do volume utilizado. O acompanhamento era predominantemente visual e havia preocupação com a disponibilidade do recurso.

Por não existir uma medição anterior, não é possível estabelecer quanto a propriedade economizou em litros nem atribuir uma porcentagem específica de redução ao gotejamento. O relato mostra, porém, uma mudança importante na gestão: o consumo passou a ser acompanhado e a irrigação deixou de depender apenas da percepção visual.

O produtor também relaciona o novo manejo à maior uniformidade das plantas, à produtividade e à redução dos custos. Esses resultados foram relatados pela propriedade, mas a fonte não informou indicadores anteriores e posteriores que permitam uma comparação independente. Portal Campo Vivo

Eficiência depende de acompanhamento

O gotejamento aplica água de maneira localizada, próximo à região das raízes. Para que a eficiência seja mantida, o produtor precisa verificar filtros, emissores, pressão, vazamentos e possíveis entupimentos.

Também é necessário acompanhar a umidade do solo, as chuvas e a evapotranspiração. Esses dados ajudam a definir por quanto tempo o sistema deve funcionar e quando a irrigação pode ser reduzida ou interrompida.

Assim, a economia não depende apenas da troca da aspersão pelo gotejamento. O principal ganho ocorre quando o sistema é acompanhado por medição, manutenção e ajustes frequentes às condições reais de cada lavoura.

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