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Exportação recorde de café ocorre sem pressão de venda no campo

Brasil exportou recorde de 4,155 milhões de sacas de café em agosto, enquanto produtores capitalizados mantiveram ritmo gradual de comercialização.

Tiago Francisco de Jesus17/09/20264 min de leitura
Exportação recorde de café ocorre sem pressão de venda no campo
Imagem ilustrativa gerada por IA

Brasil embarcou 4,155 milhões de sacas em agosto; canéforas cresceram 53,6%, enquanto produtores mantêm comercialização gradual, segundo o Cepea

O Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de café em agosto de 2026, maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O resultado representa crescimento de 31% em relação a agosto de 2025.

Mesmo com a aceleração dos embarques, pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avaliam que os produtores estão mais capitalizados nesta safra e continuam comercializando o café de forma gradual, sem a mesma necessidade imediata de caixa observada em temporadas anteriores.

A receita cambial alcançou US$ 1,331 bilhão no mês, também um recorde para agosto e 19,8% acima do resultado obtido no mesmo período do ano passado.

Canéforas apresentam maior crescimento

O café arábica continuou liderando os embarques brasileiros, com 2,866 milhões de sacas exportadas em agosto. O volume aumentou 25,7% na comparação anual.

O crescimento mais intenso, entretanto, ocorreu entre os cafés canéforas, grupo que reúne conilon e robusta. As exportações chegaram a 953.592 sacas, avanço de 53,6% sobre agosto de 2025 e melhor resultado da espécie para o mês.

Esse desempenho tem relevância especial para regiões produtoras de conilon, como o Espírito Santo. O aumento dos embarques amplia a participação da espécie no mercado internacional, embora não represente, isoladamente, garantia de valorização ao produtor. Qualidade, disponibilidade dos lotes, câmbio e demanda dos compradores também influenciam as negociações.

O café solúvel registrou a exportação de 332.192 sacas, crescimento de 24,3%. Já o café torrado e torrado e moído somou 3.816 sacas, alta de 6,4%.

Produtor mantém vendas graduais

De acordo com o Cepea, os embarques firmes de arábica e o crescimento das vendas externas de robusta contribuíram para o resultado de agosto.

No mercado interno, porém, a maior capitalização permite que parte dos produtores escolha melhor o momento de negociar. Na prática, a disponibilidade de café para exportação aumentou sem que os cafeicultores precisassem acelerar indiscriminadamente a venda dos estoques.

A avaliação sobre a capitalização é apresentada pelo Cepea como uma leitura do comportamento atual do mercado. O Centro não divulgou, na publicação consultada, indicadores financeiros específicos utilizados para mensurar essa condição.

Acumulado do ano ainda apresenta recuo

Apesar do recorde mensal, as exportações acumuladas entre janeiro e agosto de 2026 permaneceram abaixo do resultado registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

O Brasil embarcou 25,073 milhões de sacas nos oito primeiros meses deste ano, queda de 1,2% na comparação com 2025. A receita cambial somou US$ 8,787 bilhões, recuo de 9,3%.

No acumulado, as exportações de canéforas avançaram 68,6%, alcançando 4,339 milhões de sacas. O arábica, por outro lado, registrou redução de 11,8%, embora continue respondendo pela maior parcela dos embarques brasileiros.

Segundo o Cecafé, o desempenho de agosto foi favorecido pela chegada ao mercado dos cafés da nova safra, que haviam sofrido atrasos na colheita, e pela maior disponibilidade de conilon e robusta.

Autoria: Redação Valor do Agro.

Fonte e transparência: matéria elaborada com informações públicas do Cecafé e do Cepea/Esalq-USP, consultadas em 17 de setembro de 2026. Não houve entrevista própria da redação.

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