Café arábica cai 1,9% em Nova York com oferta brasileira e clima no radar
Arábica dezembro caiu 1,9% em Nova York, a 289,95 cents/lb, com pressão da oferta brasileira e do clima. Robusta avançou 1,6% em Londres.

Contrato dezembro fechou a 289,95 centavos de dólar por libra-peso; robusta avançou em Londres, enquanto dólar mais fraco aumentou a pressão sobre o mercado físico brasileiro
Redação Valor do Agro
O café arábica encerrou o pregão de terça-feira, 8 de setembro, em queda na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em dezembro de 2026 recuou 5,65 centavos de dólar por libra-peso, equivalente a aproximadamente 1,9%, e terminou cotado a 289,95 centavos por libra.
Foi a primeira sessão da semana em Nova York, depois do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. O movimento foi associado à realização de lucros, ao avanço da oferta da safra brasileira e à percepção de melhora das condições para a próxima produção.
Nos demais vencimentos informados pelo mercado, março de 2027 fechou a 281 centavos de dólar por libra-peso, enquanto maio de 2027 terminou a 277,90 centavos.
Colheita avança e amplia oferta no curto prazo
A entrada de café brasileiro no mercado ganhou força com a aproximação do fim da colheita. No Cerrado Mineiro, uma das principais regiões produtoras de arábica do país, os trabalhos chegaram a 96% do total previsto até 4 de setembro. Desse volume, 83% já havia sido beneficiado, segundo a Expocacer.
O avanço da colheita aumenta a disponibilidade de produto no curto prazo, mas o volume não explica sozinho a formação dos preços. A qualidade e o tipo dos lotes disponíveis interferem nos diferenciais pagos no mercado físico.
Na área acompanhada pela Expocacer, cerca de 30% da produção teria caído ao solo em razão das chuvas ocorridas durante a colheita. O percentual médio de catação dos cafés recebidos pela cooperativa permanecia acima de 20%, principalmente pela maior participação de grãos recolhidos do chão.
Esse quadro ajuda a explicar por que uma safra volumosa pode coexistir com procura por determinados padrões de qualidade. Oferta total e disponibilidade de cafés de melhor bebida não são necessariamente equivalentes.
Chuva favorece florada, mas resultado ainda não está garantido
As chuvas registradas no fim de agosto e no início de setembro também influenciaram as expectativas para a próxima safra. Segundo a Expocacer, precipitações ocorridas nos dias 26 de agosto e 2 de setembro estimularam a abertura de uma florada significativa em parte das lavouras do Cerrado Mineiro.
Para o mercado futuro, a perspectiva de melhores condições para a produção seguinte costuma exercer pressão sobre as cotações. A florada, entretanto, ainda não representa uma safra assegurada.
O resultado dependerá da distribuição das próximas chuvas, da umidade disponível no solo, do pegamento das flores e das condições enfrentadas pelas plantas durante a formação dos frutos. Nas propriedades que ainda não concluíram a colheita, novas precipitações também podem atrasar operações e aumentar os riscos de perda de qualidade.
Dólar mais fraco pressiona conversão para reais
O dólar comercial fechou a terça-feira em aproximadamente R$ 5,086, com queda próxima de 0,9%, segundo dados do mercado financeiro divulgados pelo UOL Economia.
A variação cambial não modifica diretamente a cotação do arábica na Bolsa de Nova York, negociada em dólares. Para o produtor brasileiro, porém, uma moeda norte-americana mais fraca reduz o valor obtido na conversão para reais e pode ampliar a pressão sobre as ofertas domésticas.
Isso não significa que uma queda de 1,9% na bolsa será integralmente reproduzida no preço recebido na propriedade. A cotação física também depende da qualidade, do diferencial de compra, da região, do frete, dos custos comerciais e da necessidade de entrega.
Segundo o diretor do Escritório Carvalhaes, Eduardo Carvalhaes, ainda existe procura no mercado físico por diferentes padrões de arábica. Ele relata, porém, que parte dos produtores está vendendo apenas os volumes necessários para cumprir os compromissos mais próximos, enquanto aguarda maior clareza sobre o mercado.
Robusta fecha em alta em Londres
O robusta apresentou movimento contrário na Bolsa de Londres. O contrato novembro encerrou a sessão a US$ 3.458 por tonelada, com valorização de aproximadamente 1,6%. Março de 2027 fechou a US$ 3.430 por tonelada.
Dados históricos da plataforma Investing.com confirmam a alta do novembro após o fechamento de US$ 3.405 na segunda-feira.
O suporte veio de previsões de chuvas fortes no Planalto Central do Vietnã, principal região produtora do país, com possibilidade de alagamentos e danos às lavouras. Como se trata de previsão meteorológica, o alcance efetivo das precipitações e seus impactos sobre a produção ainda precisam ser acompanhados.
Para os produtores brasileiros, os próximos pregões deverão continuar sensíveis à entrada da safra, à qualidade dos lotes, ao comportamento do dólar e à regularidade das chuvas após as primeiras floradas.
Fonte e transparência
Matéria produzida pela Redação Valor do Agro a partir do conteúdo encaminhado à redação e de consultas às séries de mercado, à Expocacer e a informações cambiais publicadas em 8 e 9 de setembro de 2026.
A cotação de 289,95 centavos de dólar por libra refere-se ao último preço informado para o contrato dezembro/26. Alguns provedores exibem valores diferentes conforme utilizam último negócio, ajuste oficial ou séries contínuas. Cotações futuras são referências de mercado e não correspondem automaticamente ao preço pago ao produtor.
