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Energia solar avança no Espírito Santo e crédito amplia acesso nas propriedades rurais

Espírito Santo reúne quase 98 mil sistemas solares. Sicredi Serrana financiou mais de R$ 70 milhões em projetos entre 2024 e 2025, incluindo propriedades rurais.

Tiago Francisco de Jesus19/08/20264 min de leitura
Energia solar avança no Espírito Santo e crédito amplia acesso nas propriedades rurais
Imagem ilustrativa gerada por IA

Estado possui quase 98 mil sistemas de geração distribuída; Sicredi Serrana liberou mais de R$ 70 milhões para projetos fotovoltaicos entre 2024 e 2025

A energia solar amplia sua participação no Espírito Santo e já está presente em residências, empresas, propriedades rurais e prédios públicos. O crescimento da fonte fotovoltaica também movimenta o mercado de crédito destinado à instalação dos equipamentos.

Levantamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP), elaborado com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aponta 97.725 sistemas de geração solar distribuída no Estado, além de 48 usinas fotovoltaicas de maior porte.

Juntas, essas instalações representam aproximadamente 41% da potência instalada para geração de energia elétrica no território capixaba. Com essa participação, a fonte solar supera as termelétricas e ocupa a maior parcela da capacidade instalada estadual.

Os números, atualizados até junho de 2026, mostram como a tecnologia passou a integrar o planejamento financeiro de famílias, empreendedores e produtores rurais. O levantamento considera sistemas instalados em diferentes tipos de unidades consumidoras e usinas solares registradas no Estado.

Crédito facilita instalação dos sistemas

O investimento inicial continua sendo uma das principais barreiras para quem pretende gerar a própria energia. Nesse cenário, linhas de financiamento e consórcios passaram a ajudar consumidores que não possuem recursos disponíveis para pagar integralmente pelo sistema.

Na Sicredi Serrana, mais de dois mil financiamentos para aquisição de sistemas fotovoltaicos foram contratados no Espírito Santo entre 2024 e 2025. Segundo dados da cooperativa, as operações somaram mais de R$ 70 milhões.

Do total de contratos, 75,5% foram realizados por pessoas físicas. As empresas responderam pelos outros 24,5%. As informações demonstram que a energia solar alcança desde pequenas instalações residenciais até projetos destinados a atividades comerciais e produtivas.

“A energia solar deixou de ser uma tendência para se tornar uma solução consolidada para quem busca reduzir custos e investir em eficiência”, afirma Paola Oliveira, gerente de Pessoa Jurídica da agência Sicredi Serrana de Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha.

Energia solar ganha espaço no campo

Nas propriedades rurais, os sistemas fotovoltaicos podem ser utilizados para atender atividades com consumo elevado de eletricidade, como irrigação, bombeamento de água, climatização, resfriamento, armazenamento e processamento da produção.

A geração própria pode ajudar a reduzir a exposição do produtor aos reajustes tarifários e trazer maior previsibilidade para os custos da atividade. O resultado, entretanto, depende do dimensionamento correto do sistema e do perfil de consumo da propriedade.

Antes de elaborar o projeto, é importante analisar as contas de energia dos últimos 12 meses, identificar períodos de maior demanda e considerar possíveis ampliações da produção. Equipamentos instalados sem esse planejamento podem gerar energia abaixo da necessidade ou elevar o investimento além do necessário.

Prazo de retorno varia conforme cada projeto

Estimativas apresentadas pelo setor indicam que o retorno do investimento em energia solar costuma ocorrer entre quatro e sete anos. Esse período não é garantido e pode variar conforme o custo dos equipamentos, a tarifa de energia, a incidência solar, o consumo, as regras de compensação e as condições do financiamento.

Embora os painéis tenham vida útil que pode ultrapassar 25 anos, o consumidor também deve considerar despesas com manutenção, limpeza, seguro e possível substituição de componentes, como o inversor.

A taxa de juros, o prazo de pagamento e o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento também influenciam o resultado financeiro. Por isso, a economia projetada na conta de energia precisa ser comparada ao valor das parcelas e aos demais custos do sistema.

Segundo Paola Oliveira, cada projeto é avaliado individualmente para identificar a modalidade de crédito mais adequada. A cooperativa também verifica informações da empresa fornecedora antes da liberação dos recursos, como forma de aumentar a segurança da operação.

Consumidor deve avaliar fornecedores e regras

Antes de contratar uma instalação fotovoltaica, a recomendação é solicitar diferentes orçamentos e verificar a experiência da empresa escolhida.

Entre os principais cuidados estão:

  • Conferir se a empresa possui CNPJ ativo e histórico de instalações;
  • Exigir projeto elaborado por profissional habilitado;
  • Solicitar a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART);
  • Verificar as garantias dos painéis, inversores e estruturas;
  • Avaliar a procedência e a certificação dos equipamentos;
  • Confirmar se o orçamento inclui instalação e conexão à distribuidora;
  • Comparar taxas, prazos e o custo total do financiamento;
  • Analisar as condições do seguro para os equipamentos;
  • Solicitar uma projeção de geração baseada no consumo real do imóvel.

A Aneel esclarece que o consumidor é responsável por analisar a relação entre custos e benefícios. A avaliação deve considerar a localização da instalação, a tecnologia, o porte do sistema, a tarifa, as regras de compensação e as condições de pagamento. As orientações e as regras para micro e minigeração distribuída estão disponíveis no portal da agência.

Créditos podem compensar o consumo

Pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica, a energia excedente produzida durante o dia pode ser injetada na rede da distribuidora. Esse volume gera créditos que podem ser utilizados para compensar o consumo posterior, dentro das regras estabelecidas pela Aneel.

Os créditos possuem validade de 60 meses e, dependendo da modalidade, podem ser utilizados em outras unidades consumidoras vinculadas ao mesmo titular.

Mesmo com a geração própria, alguns custos permanecem na conta. Consumidores de baixa tensão continuam sujeitos ao custo de disponibilidade, enquanto unidades de alta tensão mantêm a cobrança relacionada à demanda contratada.

Além do financiamento, a Sicredi Serrana informa que oferece consórcio para consumidores que desejam planejar o investimento no longo prazo e seguro destinado aos equipamentos fotovoltaicos.

Fonte: Sicredi Serrana, Aneel e ARSP.

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