Cooperativismo supera 1 milhão de cooperados no ES; agro fatura R$ 6,5 bilhões
Espírito Santo supera 1 milhão de cooperados. Crédito concentra quase 90% dos associados, enquanto o ramo agropecuário fatura R$ 6,5 bilhões.

Cooperativas de crédito concentram 89,7% dos associados, enquanto o ramo agropecuário responde por 31% da movimentação econômica e amplia sua presença nas cadeias de café e leite
Por Redação Valor do Agro
O cooperativismo capixaba encerrou 2025 com 1.081.334 cooperados, superando pela primeira vez a marca de 1 milhão de pessoas associadas no Espírito Santo. As 112 cooperativas registradas movimentaram R$ 20,8 bilhões no período, crescimento de 23% em relação ao ano anterior.
Os números constam no Anuário do Cooperativismo Capixaba 2026, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Sistema OCB/ES. O levantamento tem como data-base 31 de dezembro de 2025.
O número de cooperados aumentou 11,7% em relação a 2024, quando o estado contabilizava 967.729 associados. Na comparação com 2021, a expansão acumulada ficou próxima de 77%.
Cooperativas de crédito puxaram crescimento
A maior parcela dos cooperados está concentrada no ramo de crédito. As 26 cooperativas financeiras reuniam 969.806 associados no final de 2025, o equivalente a 89,7% de todos os cooperados contabilizados no Espírito Santo.
Em 2021, o segmento possuía 539.388 associados. Isso representa uma expansão de aproximadamente 79,8% em cinco anos.
Os dados mostram que a superação da marca de 1 milhão está relacionada principalmente à expansão das cooperativas financeiras, embora o sistema capixaba também reúna organizações dos ramos agropecuário, saúde, transporte, consumo, infraestrutura, trabalho, produção de bens e serviços.
Além do número de associados, o ramo de crédito apresentou a maior movimentação econômica entre os segmentos, com R$ 9,7 bilhões em 2025.
Agro reúne 25 cooperativas e fatura R$ 6,5 bilhões
O ramo agropecuário aparece em segundo lugar na movimentação econômica. As 25 cooperativas do segmento faturaram R$ 6,5 bilhões em 2025, o equivalente a 31,3% dos R$ 20,8 bilhões registrados por todo o cooperativismo capixaba.
Essas cooperativas reuniam 49.541 associados — aproximadamente 4,6% do total estadual — e mantinham 2.972 colaboradores.
A comparação mostra que o peso econômico do cooperativismo agropecuário é proporcionalmente maior que sua participação no quadro total de associados. Somados, os ramos de crédito e agropecuário concentraram aproximadamente 78% de toda a movimentação econômica registrada no ano.
O ramo de saúde aparece na sequência, com faturamento de R$ 3,7 bilhões, 7.439 cooperados e 6.274 colaboradores.
Café e leite mostram alcance das cooperativas no campo
O Anuário aponta que as cooperativas foram responsáveis por 63,6% da captação de leite no Espírito Santo em 2025, com um volume próximo de 147,6 milhões de litros.
Na cafeicultura, foram captadas 2,5 milhões de sacas, correspondentes a 19,4% do café contabilizado pelo levantamento no estado. A publicação informa participação de 23,7% no conilon e de 6,5% no arábica.
As cooperativas da agricultura familiar também forneceram mais de mil toneladas de alimentos para 369 escolas públicas capixabas, alcançando mais de 94 mil estudantes durante o ano.
Esses indicadores ajudam a dimensionar uma atuação que vai além da comercialização da produção. As cooperativas participam do recebimento, armazenamento e beneficiamento de produtos, da aquisição de insumos e do acesso dos produtores a mercados institucionais.
Crédito rural conecta cooperativismo financeiro e produção
Embora as cooperativas agropecuárias tenham participação direta na organização da produção, o ramo de crédito também exerce influência sobre as atividades rurais.
Segundo o Anuário, três cooperativas financeiras estavam entre as seis maiores repassadoras de crédito rural do Espírito Santo: Sicoob, na segunda posição; Sicredi, na terceira; e Cresol, na sexta.
Entre as cinco maiores instituições operadoras dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, o Funcafé, três também eram cooperativas. O Sicoob ocupava a primeira posição, o Sicredi a terceira e a Cresol a quinta.
O levantamento informa ainda que as operações de crédito rural realizadas pelo cooperativismo cresceram 93% entre 2023 e 2025. O documento, entretanto, não apresenta na versão reduzida o valor total contratado, as taxas aplicadas ou a distribuição dos recursos por atividade e município.
Movimentação econômica cresce 23%
A movimentação econômica das cooperativas passou de R$ 16,9 bilhões em 2024 para R$ 20,8 bilhões em 2025. O avanço de 23% ficou acima do crescimento de 11,7% observado no número de associados.
Os ativos totais alcançaram R$ 84,3 bilhões, alta de 62%, enquanto o patrimônio líquido chegou a R$ 9,3 bilhões, crescimento de 23%.
O pagamento de impostos e taxas somou R$ 839,8 milhões. As sobras colocadas à disposição das assembleias gerais ordinárias totalizaram R$ 627,7 milhões, aumento de 25,5%.
O número total de colaboradores — incluindo celetistas, aprendizes, estagiários e terceirizados — passou de 12.094 para 14.146, alta de 17%. Considerando somente os empregados celetistas, o crescimento foi de 3,4%, chegando a 12.192 trabalhadores.
Percentuais sobre o PIB medem coisas diferentes
Os R$ 20,8 bilhões movimentados pelas cooperativas equivalem a 8,4% do PIB nominal do Espírito Santo. Essa comparação, porém, não significa que as cooperativas tenham gerado diretamente 8,4% do PIB estadual, pois movimentação econômica e valor adicionado são indicadores diferentes.
O Anuário apresenta outro percentual, de 12,8%, baseado em estudo da Futura que considera a participação direta das cooperativas e os efeitos indiretos e induzidos em outros setores. Os dois indicadores possuem metodologias distintas e não devem ser somados.
A publicação também estima que 2,5 milhões de capixabas estejam ligados direta ou indiretamente ao cooperativismo. O cálculo soma cooperados pessoas físicas e colaboradores e aplica a média estimada de 2,67 pessoas por família.
Por utilizar uma projeção de alcance familiar, esse número deve ser interpretado como estimativa de pessoas potencialmente conectadas ao cooperativismo, e não como uma contagem individual de 2,5 milhões de usuários ou associados.
