Queda dos ovos e alta dos insumos reduzem poder de compra do avicultor
Queda nos preços dos ovos e valorização do milho e do farelo de soja reduziram o poder de compra do avicultor paulista em julho ao menor nível desde janeiro

Relação de troca com milho e farelo de soja atingiu em julho o menor nível desde janeiro para os produtores paulistas
O poder de compra do avicultor de postura paulista recuou com força em julho. A pressão veio da combinação entre a queda nos preços dos ovos e a valorização do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação das aves.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os valores dos ovos brancos e vermelhos diminuíram entre junho e julho. No mesmo período, os custos dos insumos utilizados na produção avançaram.
Com esse movimento, a relação de troca dos ovos por milho e farelo de soja caiu tanto na comparação mensal quanto na anual, alcançando o menor patamar desde janeiro.
Relação de troca mede capacidade de compra
A relação de troca indica quanto o produtor consegue adquirir de determinado insumo com a receita obtida na venda dos ovos.
Quando os ovos se desvalorizam e os custos da ração aumentam, o avicultor precisa comercializar uma quantidade maior do produto para comprar o mesmo volume de milho ou farelo de soja.
Esse cenário reduz a margem da atividade, limita a capacidade de investimento e aumenta a necessidade de controle dos custos dentro das granjas.
A alimentação representa uma das maiores despesas da avicultura de postura. Por isso, oscilações nos preços do milho e do farelo têm impacto direto sobre o resultado econômico da produção.
Milho se valorizou em julho
Os preços do milho avançaram entre junho e julho, segundo a equipe de Grãos do Cepea.
As negociações permaneceram limitadas durante parte do período. Os compradores adotaram uma postura cautelosa diante do avanço da colheita da segunda safra, enquanto muitos vendedores concentraram esforços nas atividades de campo.
Mesmo com a entrada da nova produção, a dinâmica entre oferta e procura sustentou a valorização do cereal no comparativo mensal.
Para os avicultores, a alta do milho representa aumento dos custos, uma vez que o grão é a principal fonte energética das rações utilizadas na alimentação das aves.
Demanda sustenta farelo de soja
O farelo de soja também apresentou valorização. De acordo com o Cepea, a procura firme nos mercados interno e externo elevou os prêmios de exportação e sustentou as cotações domésticas durante julho.
O derivado é utilizado como importante fonte de proteína na formulação das rações.
A valorização simultânea do milho e do farelo intensificou a pressão sobre os produtores justamente em um momento de recuo nas cotações dos ovos.
Margens exigem atenção nas granjas
Com menor receita por caixa comercializada e custos mais elevados, os avicultores precisam reforçar o acompanhamento da conversão alimentar, da produtividade das aves e das despesas com a formulação da ração.
O planejamento das compras de insumos, a redução de desperdícios e o acompanhamento técnico podem ajudar a diminuir parte dos impactos. Entretanto, alterações na alimentação devem ser feitas com orientação profissional para evitar prejuízos à saúde e ao desempenho do plantel.
A recuperação do poder de compra dependerá do comportamento dos preços dos ovos e dos principais componentes da ração nos próximos meses.
Fonte: Cepea/Esalq-USP.
