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Alfredo Chaves lidera produção de inhame no ES e transforma cultura em turismo e renda

Alfredo Chaves produziu 31,7 mil toneladas de inhame em 2024 e lidera a cultura no Espírito Santo. Família rural agrega valor ao tubérculo com sorvetes e picolés artesanais.

Tiago Francisco de Jesus17/08/20264 min de leitura
Alfredo Chaves lidera produção de inhame no ES e transforma cultura em turismo e renda
Imagem ilustrativa gerada por IA

Município produziu 31,7 mil toneladas em 2024 e concentra 33,2% da produção capixaba; família rural criou sorvete e picolé usando o tubérculo como ingrediente

A produção de inhame no Espírito Santo alcançou 95,5 mil toneladas em 2024, mantendo o Estado entre as principais referências nacionais da cultura. O volume foi colhido em aproximadamente 3,2 mil hectares, com rendimento médio de 29,2 mil quilos por hectare.

Mesmo com uma pequena redução na área cultivada e no volume total, a produtividade permaneceu elevada. O resultado reflete a experiência dos produtores e a adoção de práticas como correção do solo, rotação de culturas e aperfeiçoamento do manejo, principalmente nas propriedades familiares.

Em 2014, o Espírito Santo produziu 96,6 mil toneladas em 3,6 mil hectares, com produtividade média de 26,3 mil quilos por hectare. Ao longo da década, a eficiência produtiva cresceu e superou 30 mil quilos por hectare em 2022, maior rendimento do período.

Custos e dificuldades de mecanização reduzem áreas

Segundo o extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em Alfredo Chaves, João Medeiros, alguns agricultores diminuíram as áreas de inhame e passaram a diversificar a produção.

Uma das principais dificuldades está no relevo montanhoso. Em determinadas propriedades, a mecanização não é viável, aumentando a dependência do trabalho manual para colher e selecionar o produto.

Além dos custos de produção e logística, o ciclo do inhame, que pode durar cerca de um ano, também influencia a decisão do agricultor. Quando a rentabilidade diminui, alguns produtores optam por não repetir o plantio ou substituem parte da área por outras culturas.

Alfredo Chaves responde por um terço da produção

A região Serrana concentra os principais municípios produtores de inhame do Espírito Santo. Alfredo Chaves ocupa a liderança estadual, com 31,7 mil toneladas colhidas em 2024, equivalentes a 33,2% da produção capixaba.

Laranja da Terra aparece na segunda posição, com 17,3% do total estadual, seguida por Marechal Floriano, com 11%, e Santa Leopoldina, com 9,7%.

Também se destacam Domingos Martins, com 6,9%; Santa Maria de Jetibá, com 6,3%; Muniz Freire, com 3,6%; Baixo Guandu, com 2,4%; Itarana, com 1,8%; e Castelo, com 1,3%.

Os três maiores produtores — Alfredo Chaves, Laranja da Terra e Marechal Floriano — concentram aproximadamente 61% de todo o inhame produzido no Estado. Os números são corroborados por levantamento divulgado pelo Governo do Espírito Santo.

Família transforma inhame em sorvete artesanal

Em Alfredo Chaves, a importância do inhame ultrapassa as lavouras. Na comunidade de Redentor, no distrito de São Bento de Urânia, a família Fardin encontrou uma maneira criativa de agregar valor ao produto cultivado na região.

Eдинelma e Zelindo Fardin, com o apoio do filho Yuri, administram o Frescor das Montanhas, empreendimento familiar que produz sorvetes e picolés artesanais. O negócio começou há cerca de oito anos, a partir do interesse de Edinelma pela produção de doces e sobremesas.

Inicialmente, os produtos eram preparados em pequenas quantidades para vizinhos e amigos. Com o aumento da procura, a família ampliou a fabricação e passou a abastecer mercados, padarias, bares e restaurantes da região.

Atualmente, o empreendimento oferece mais de 50 sabores. Entre eles, o sorvete e o picolé de inhame se tornaram os principais diferenciais da marca e uma expressão da identidade agrícola de Alfredo Chaves, município conhecido como Capital Nacional do Inhame.

Receita nasceu durante projeto escolar

A ideia de utilizar o inhame surgiu durante um projeto realizado na escola da filha mais nova do casal. A família decidiu testar uma sobremesa com o tubérculo e desenvolveu uma receita cremosa, combinada com passas e ameixa seca.

A novidade conquistou os consumidores e transformou-se no carro-chefe da sorveteria. O inhame utilizado vem principalmente da propriedade da família. Quando a produção própria não é suficiente, o produto é adquirido de agricultores vizinhos.

A iniciativa fortalece a economia local e mantém a renda circulando entre as famílias da comunidade. Estima-se que aproximadamente 600 famílias cultivem inhame na região de São Bento de Urânia.

A produção da sorveteria é inteiramente familiar. Edinelma, Zelindo e Yuri participam das diferentes etapas, desde os cuidados com a lavoura até a fabricação e a comercialização dos produtos.

A história do Frescor das Montanhas mostra como a agroindustrialização e a criatividade podem ampliar as possibilidades de uma cultura tradicional. Além de gerar renda, o sorvete de inhame ajuda a divulgar o território, atrair visitantes e valorizar a agricultura familiar de Alfredo Chaves. A trajetória do empreendimento também foi registrada em reportagem sobre a família Fardin. Fonte: Conexão Safra, Incaper e Governo do Espírito Santo

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