Abate bovino avança no Espírito Santo, enquanto pecuária leiteira perde escala
Espírito Santo ampliou o abate bovino, mas fechou 2024 com menos vacas ordenhadas e queda na produção de leite, apesar do valor elevado e dos ganhos de produtividade.

Estado produziu 76,7 mil toneladas de carcaças bovinas em 2024 e manteve o crescimento em 2025; número de vacas ordenhadas e produção de leite, porém, diminuíram na última década
A pecuária capixaba apresenta movimentos distintos em suas principais atividades. Enquanto o abate de bovinos recuperou parte das perdas acumuladas no início da década, a produção leiteira encerrou 2024 com menos animais ordenhados e menor volume produzido.
Em 2024, foram abatidos 310,2 mil bovinos no Espírito Santo, com produção de 76,7 mil toneladas em peso de carcaça. O volume representa crescimento de aproximadamente 3,8% em relação às 73,9 mil toneladas registradas em 2023, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag-ES).
O resultado consolidou a recuperação iniciada em 2022. Depois de alcançar 88,1 mil toneladas em 2014, o abate capixaba entrou em trajetória de redução e atingiu 34,5 mil toneladas em 2021. Posteriormente, avançou para 51,7 mil toneladas em 2022, 73,9 mil toneladas em 2023 e 76,7 mil toneladas em 2024.
Apesar do crescimento, a produção de 2024 permaneceu cerca de 13% abaixo do volume registrado em 2014. Em relação a 2021, entretanto, o avanço superou 120%.
Dados mais recentes indicam que o movimento continuou em 2025, quando o Espírito Santo produziu 79 mil toneladas de carcaças bovinas, crescimento de 3% sobre 2024. As informações constam em levantamento divulgado pela Seag-ES.
Mercado brasileiro também recuperou os abates
A recuperação capixaba acompanhou a mudança observada no mercado nacional. Em 2021, o Brasil abateu 27,54 milhões de bovinos, queda de 7,8% em relação ao ano anterior. Naquele período, a retenção de fêmeas para reprodução, a valorização dos bezerros e da arroba e a menor disponibilidade de animais terminados limitaram a oferta.
O embargo temporário da China à carne bovina brasileira, após registros de casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina, também afetou o setor no segundo semestre daquele ano. Portanto, a redução não esteve relacionada apenas aos efeitos da pandemia.
A retomada começou em 2022, quando o abate nacional cresceu 7,5%. Em 2024, o país alcançou 39,27 milhões de animais abatidos, aumento de 15,2% em um ano e recorde da série histórica até aquele momento. O resultado foi superado em 2025, quando o total chegou a 42,94 milhões de cabeças, segundo o IBGE.
Mesmo com a recuperação, a participação do Espírito Santo no peso nacional de carcaças permanece menor do que há uma década. O índice passou de 1,09% em 2014 para aproximadamente 0,74% em 2024, refletindo o crescimento mais acelerado de grandes estados pecuaristas.
Número de vacas ordenhadas recua
Na pecuária leiteira, o Espírito Santo encerrou 2024 com 234,6 mil vacas ordenhadas, o menor contingente da série analisada. Em 2014, eram 420,5 mil animais, indicando redução de aproximadamente 44% em dez anos.
A queda foi mais intensa entre 2015 e 2017. Nos anos seguintes, o rebanho ordenhado permaneceu próximo de 240 mil cabeças, ainda com oscilações e tendência de retração.
Ecoporanga possui o maior rebanho leiteiro estadual, com 18.662 vacas ordenhadas. Em seguida aparecem Barra de São Francisco, com 10.557; Alegre, com 10.502; Presidente Kennedy, com 9.109; e Cachoeiro de Itapemirim, com 8.924 animais.
Menos leite, mas maior valor econômico
A produção capixaba de leite alcançou 349,5 milhões de litros em 2024, queda de 4,2% na comparação com 2023. Em relação aos 483,6 milhões de litros produzidos em 2014, a redução acumulada foi de 27,7%.
Mesmo com menos animais e menor volume, o valor da produção permaneceu elevado. A atividade movimentou R$ 835,8 milhões em 2024, o segundo maior resultado da série histórica, conforme levantamento da Seag-ES.
Os números também indicam avanço na produtividade. A relação entre produção e número de vacas ordenhadas passou de aproximadamente 1,15 mil litros por animal em 2014 para 1,49 mil litros em 2024, ganho próximo de 30% no período.
Esse desempenho sugere uma pecuária leiteira mais concentrada e tecnificada, embora pressionada pelos custos de alimentação, mão de obra, energia, sanidade e investimentos necessários para a modernização das propriedades.
Ecoporanga também liderou a produção de leite em 2024, com 24,57 milhões de litros, equivalentes a 7,03% do total estadual. Na sequência ficaram Mucurici, com 14,74 milhões; Alegre, com 14,06 milhões; Presidente Kennedy, com 13,90 milhões; e Nova Venécia, com 12,61 milhões de litros.
Juntos, os cinco municípios responderam por quase 23% da produção capixaba.
Os indicadores mostram que a pecuária bovina do Espírito Santo passa por uma reorganização. O abate recupera espaço e mantém trajetória de crescimento, enquanto a cadeia leiteira busca elevar a eficiência para compensar a redução do rebanho e enfrentar margens de produção mais apertadas.
