Painel da Embrapa permite consultar produção de café por município
Painel Café em Números, da Embrapa, permite consultar produção por município, produtividade, perfil dos produtores e risco climático, reunindo bases oficiais da cafeicultura brasileira.

Café em Números reúne dados oficiais sobre arábica e canéfora, perfil dos produtores e risco climático; ferramenta também abre caminho para uma plataforma nacional de inteligência territorial
Consultar a produção de café de um município, comparar a produtividade entre regiões e conhecer o perfil das propriedades produtoras ficou mais simples. A Embrapa disponibilizou o Painel Café em Números, ferramenta on-line que reúne indicadores da cafeicultura brasileira antes distribuídos em diferentes bases de informação.
Desenvolvido pela Embrapa Café, no Distrito Federal, e pela Embrapa Territorial, em São Paulo, o painel integra dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo Agropecuário, do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e da própria instituição de pesquisa.
A proposta é tornar essas informações mais acessíveis a produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores, extensionistas e gestores públicos. O acesso está disponível na página oficial do Painel Café em Números.
Dados permitem comparar regiões e acompanhar a produção
A ferramenta contempla as duas principais espécies cultivadas no Brasil: Coffea arabica e Coffea canephora, que inclui os cafés conilon e robusta.
As consultas oferecem recortes nacionais, regionais, estaduais e municipais. Com isso, o usuário pode observar onde a produção está concentrada, acompanhar sua evolução e comparar indicadores como área colhida, produtividade e valor da produção.
Para quem acompanha a cafeicultura do Espírito Santo, de Minas Gerais e da Bahia, por exemplo, o recorte municipal permite examinar diferenças dentro de cada estado, sem depender apenas dos números agregados.
Segundo Daniela Maciel, analista da Embrapa Territorial responsável pelo desenvolvimento, a dificuldade não estava na ausência de informações, mas na dispersão entre sistemas e metodologias.
“Faltava um ponto único e integrado de consulta”, explica.
Sete módulos organizam as informações
O painel apresenta diferentes dimensões da atividade, da produção agrícola às pesquisas desenvolvidas pela Embrapa.
MóduloO que permite consultarVisão GeralProdução, área colhida, produtividade e valor da produção, com séries históricas e comparação entre arábica e canéfora.Distribuição TerritorialRankings de estados produtores, informações regionais e mapas municipais.Geografia da ProduçãoIndicadores por localidade, incluindo área plantada, área colhida, produtividade e valor gerado.Estabelecimentos AgrícolasNúmero e perfil das propriedades, com informações sobre agricultura familiar.Dados SocioeconômicosCaracterísticas dos produtores, como gênero, faixa etária e envelhecimento.Zarc – Risco ClimáticoMapas e períodos de menor risco climático para o cultivo.Café na EmbrapaPublicações, autores, temas de pesquisa e ativos tecnológicos relacionados ao café.
A integração dos dados do Zarc facilita o acesso às informações de risco climático específicas da cafeicultura. Já os módulos sociais e estruturais ajudam a ampliar a análise para além do volume de sacas produzido.
Ano de referência exige atenção
A série histórica de produção apresentada no lançamento abrange o período de 2014 a 2024. Os dados sobre estabelecimentos agrícolas e perfil dos produtores têm como referência o Censo Agropecuário de 2017.
Essa diferença precisa ser considerada nas consultas: os módulos não retratam necessariamente o mesmo ano. Informações censitárias, por exemplo, descrevem a realidade observada no levantamento e não devem ser interpretadas como uma contagem atualizada dos produtores.
Segundo a Embrapa, novas informações serão incorporadas conforme a publicação das bases oficiais. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de consulta estatística e territorial, e não de acompanhamento de preços em tempo real. A instituição apresenta o escopo na divulgação oficial do painel.
Organização das bases facilita as consultas
Para disponibilizar os indicadores, a equipe precisou selecionar variáveis, padronizar estruturas e reorganizar grandes tabelas. Os dados foram tratados e armazenados em um ambiente próprio, preparado para responder às consultas.
Assim, quando o usuário aplica um filtro, não está acessando diretamente os sistemas do IBGE ou de cada instituição de origem. Ele consulta uma base previamente organizada pela Embrapa.
Para Renata Silva, chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café, reunir informações oficiais e confiáveis fortalece o planejamento, a avaliação de riscos e a elaboração de políticas públicas baseadas em evidências.
Plataforma futura prevê satélites e inteligência artificial
O painel também representa uma etapa inicial da Plataforma Nacional de Inteligência Territorial do Café, iniciativa que deverá ser construída com instituições públicas, privadas e representativas do setor.
A proposta prevê ampliar a integração de dados georreferenciados, mapas e análises sobre produção, mercado, logística, competitividade e riscos climáticos. Também estão planejados o uso de imagens de satélite para mapear e monitorar a cafeicultura e ferramentas de inteligência artificial em campo para apoiar a validação de informações.
Esses recursos fazem parte da plataforma futura e não devem ser confundidos com funcionalidades já entregues pelo painel atual. A iniciativa ainda está em estruturação, com articulação de parcerias e busca de recursos para implementação em escala nacional.
Enquanto essa etapa é desenvolvida, o Café em Números concentra o trabalho inicial: transformar bases oficiais dispersas em informações mais fáceis de localizar, visualizar e comparar.
