Exportações de café abrem safra 2026/27 em alta, mas chuvas limitam oferta
Brasil exportou 3,03 milhões de sacas de café em julho, alta de 9,9%. Chuvas atrasaram a colheita do arábica, dificultaram a secagem e afetaram a qualidade dos grãos.

Brasil embarcou 3,03 milhões de sacas em julho, crescimento de 9,9%; atraso na colheita, dificuldades de secagem e perda de qualidade impediram avanço maior
As exportações brasileiras de café começaram a safra 2026/27 acima do ritmo observado na abertura da temporada anterior. O Brasil embarcou 3,03 milhões de sacas de 60 quilos em julho, crescimento de 9,9% na comparação com o mesmo mês de 2025.
O resultado, entretanto, poderia ter sido mais expressivo. As chuvas registradas durante junho e julho atrasaram a colheita do café arábica, dificultaram a secagem nos terreiros e reduziram temporariamente a oferta de grãos beneficiados e preparados para exportação.
Os problemas climáticos foram registrados principalmente em importantes regiões produtoras de Minas Gerais e São Paulo, segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Mesmo com o aumento do volume exportado, a receita cambial caiu 13,2% na comparação anual, passando de aproximadamente US$ 1,04 bilhão para US$ 903,9 milhões, conforme o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Chuvas atrasaram colheita e secagem
Junho, tradicionalmente marcado por baixos volumes de chuva nas regiões produtoras de arábica, apresentou precipitações atípicas em 2026. O excesso de umidade interrompeu trabalhos de campo e limitou a utilização dos terreiros para secagem.
Além de desacelerar a colheita, as chuvas derrubaram parte dos frutos e elevaram o risco de fermentação indesejada, aparecimento de mofo e perda de qualidade nos cafés que permaneceram no chão ou nas plantas por mais tempo.
No fim de julho, aproximadamente 30% da produção de arábica ainda estava por colher, de acordo com colaboradores consultados pelo Cepea. A maior preocupação estava relacionada à qualidade da bebida, que somente pode ser avaliada com maior precisão depois que os lotes são beneficiados, provados e comercializados.
O Cepea ressalta que os efeitos não ocorrem de maneira uniforme. A intensidade das perdas depende do estágio de maturação dos frutos, do volume de chuva recebido, do tempo de exposição à umidade e da estrutura disponível para secagem.
Menos café pronto para embarque
O atraso nos trabalhos também retardou a chegada do café aos armazéns e unidades de beneficiamento. Com menos lotes processados, classificados e preparados para exportação, parte dos negócios ficou limitada pela disponibilidade imediata do produto.
Embora a colheita estivesse praticamente concluída nas principais regiões em meados de agosto, os impactos das interrupções anteriores continuaram sendo percebidos no fluxo de beneficiamento e comercialização.
Além dos entraves no campo, o Cecafé aponta que gargalos logísticos nos portos e nas vias de acesso também impediram um avanço maior das exportações brasileiras durante julho.
Canéforas avançam 73,5% no ano
No acumulado entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 20,90 milhões de sacas de café, queda de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 7,45 bilhões, recuo de 13,1%.
O café arábica permaneceu como o principal produto da pauta exportadora, com 14,99 milhões de sacas e participação de 71,7% no total. O volume, porém, ficou 16,6% abaixo do registrado nos sete primeiros meses de 2025.
O destaque positivo foi o café canéfora, grupo que reúne conilon e robusta. Os embarques chegaram a 3,39 milhões de sacas, crescimento de 73,5% na comparação anual e participação de 16,2% nas exportações brasileiras.
O resultado tem importância especial para o Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café conilon e um dos principais responsáveis pela expansão da oferta nacional dessa espécie.
O café solúvel respondeu por 2,49 milhões de sacas, equivalentes a 11,9% das exportações, enquanto os produtos torrados e torrados e moídos somaram 36,5 mil sacas.
Nova safra começa após ciclo de retração
A reação observada em julho ocorre depois de uma temporada marcada pela menor disponibilidade de café. Na safra 2025/26, encerrada em junho, o Brasil exportou 38,46 milhões de sacas para 125 países, redução de 15,7% em relação ao ciclo anterior.
A receita do período alcançou US$ 14,60 bilhões, com recuo de apenas 1%, sustentada pelos preços mais elevados observados principalmente entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
Com a entrada da nova produção, a expectativa era de recuperação mais intensa dos embarques. As chuvas, entretanto, adiaram a disponibilização de parte dos cafés e trouxeram incertezas sobre a quantidade de lotes que conseguirá atender aos padrões de qualidade exigidos pelos compradores.
A evolução das exportações ao longo da safra 2026/27 dependerá da velocidade do beneficiamento, da qualidade efetivamente constatada nos lotes, da demanda internacional e da capacidade dos portos brasileiros de atender ao aumento esperado no fluxo de cargas.
