Marilândia planeja teleférico na Pedra do Cruzeiro para impulsionar o agroturismo
Marilândia planeja instalar um teleférico na Pedra do Cruzeiro para ampliar o turismo e gerar oportunidades para produtores de café, restaurantes, hospedagens e empreendimentos rurais.

Projeto pretende ampliar o fluxo de visitantes, valorizar propriedades rurais e criar oportunidades para cafeterias, hospedagens, restaurantes e produtores locais
Marilândia apresentou um projeto para instalar um teleférico na Pedra do Cruzeiro, localizada na comunidade de Alto Liberdade, no noroeste do Espírito Santo. A proposta busca transformar o local em um dos principais atrativos turísticos da região e estimular novos negócios ligados ao campo.
O projeto foi apresentado ao público durante a Feira dos Municípios, por meio de imagens tridimensionais. A iniciativa ainda se encontra na fase de licenciamento e de atendimento às exigências técnicas e jurídicas necessárias para sua implantação.
Além de facilitar o acesso ao topo da pedra, o município pretende integrar o futuro equipamento a experiências de agroturismo, gastronomia, produção de cafés especiais e valorização da cultura de origem italiana.
Teleférico deverá chegar a 760 metros de altitude
A Pedra do Cruzeiro é conhecida pela vista panorâmica e pelas visitas de fiéis católicos. O local recebe anualmente visitantes de diferentes regiões do Espírito Santo, especialmente durante eventos religiosos.
O teleférico deverá ligar a base da formação rochosa ao topo, situado a aproximadamente 760 metros de altitude.
Na área de embarque, o projeto prevê estacionamento, plataforma para acesso ao equipamento, banheiros e restaurante. No topo, a proposta contempla uma segunda base de apoio, equipada com banheiros e cafeteria.
Outras estruturas poderão ser acrescentadas ao empreendimento conforme o avanço das etapas e a definição do modelo de execução.
Município pretende ampliar número de visitantes
Atualmente, Marilândia recebe entre 35 mil e 40 mil visitantes por ano, considerando festas, eventos e demais atrações. Com o teleférico, a administração municipal espera dobrar ou até triplicar esse movimento.
A expectativa é que o novo atrativo aumente o tempo de permanência dos turistas no município, favorecendo o consumo em restaurantes, cafeterias, hospedagens, propriedades rurais e estabelecimentos comerciais.
Segundo o secretário municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Gildo Alberto Buzzetti, o objetivo é fazer com que parte da riqueza produzida no campo também seja comercializada e consumida dentro do município.
“Marilândia não é uma cidade consumidora, é uma cidade produtora. A gente produz muito café, mas esse café não é consumido aqui, e isso acendeu um alerta”, explica.
Para o secretário, atrair visitantes pode ajudar a movimentar a economia local por meio da alimentação, hospedagem, comercialização de produtos e contratação de serviços.
Café conilon pode ganhar espaço no turismo
A economia de Marilândia possui forte participação da agricultura, com destaque para o café conilon. O município também abriga uma fazenda experimental do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), referência no desenvolvimento de pesquisas relacionadas à cultura.
A expansão do turismo poderá criar novos canais para apresentação e comercialização dos cafés produzidos na região. Experiências como visitas a propriedades, degustações, cafeterias rurais e venda direta podem aproximar os consumidores dos produtores.
A proposta também contempla o estímulo a cafés coloniais, hospedagens no modelo cama e café, restaurantes, produção artesanal e outras atividades capazes de complementar a renda das famílias rurais.
Capelete e cultura italiana fortalecem experiência
Além da cafeicultura, Marilândia possui uma identidade gastronômica associada ao capelete e é reconhecida oficialmente como a Capital Estadual do Capelete.
A comunidade de Alto Liberdade é formada, em grande parte, por descendentes de imigrantes italianos que preservam costumes, receitas e tradições familiares. Esses elementos podem ser incorporados aos roteiros oferecidos aos visitantes.
Segundo Buzzetti, a comunidade demonstrou receptividade ao projeto e alguns moradores já estão se preparando para ampliar o atendimento ao público.
“Nós imaginávamos encontrar mais resistência, mas aconteceu exatamente o contrário. A comunidade abraçou a ideia e está participando”, relata.
De acordo com o secretário, já existem opções de cama e café, moradores que alugam suas casas e restaurantes que reforçam suas estruturas durante os eventos realizados no município.
Turismo é alternativa para diversificar a economia
A administração municipal também considera o turismo uma alternativa para reduzir a dependência econômica da produção agrícola e ampliar a arrecadação.
A preocupação está relacionada, entre outros fatores, às mudanças na distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre os municípios.
Nesse cenário, o agroturismo pode transformar atributos já existentes — como lavouras, gastronomia, paisagens, tradições familiares e produtos artesanais — em experiências comercializáveis.
O movimento poderá beneficiar produtores que desejam receber visitantes, vender diretamente, criar marcas próprias ou oferecer alimentação e hospedagem dentro das propriedades.
Projeto ainda depende de licenciamento
O teleférico ainda precisa cumprir as exigências legais, ambientais, técnicas e de segurança antes de avançar para a execução.
Após a conclusão dessa fase, será definido o modelo para realização das obras, que poderão ser divididas em etapas. A estimativa inicial da prefeitura é que a implantação completa leve entre dois e três anos depois do início da construção.
Como o projeto ainda está em desenvolvimento, o prazo dependerá do andamento dos licenciamentos, da definição dos recursos e do formato de contratação ou parceria adotado pelo município.
A expectativa da administração é consolidar Marilândia como destino de agroturismo, integrando o teleférico à produção agrícola, à gastronomia e à hospitalidade das famílias do campo, com possíveis reflexos econômicos para toda a região noroeste capixaba.
Fonte: Prefeitura de Marilândia.
