Qualidade das mudas sustenta avanço do café conilon no Espírito Santo
Seminário em Linhares destacou a qualidade das mudas, o manejo das lavouras e os desafios geopolíticos como fatores estratégicos para o avanço do café conilon.

Seminário realizado em Linhares reuniu produtores, viveiristas e pesquisadores para discutir tecnologias de produção, manejo das lavouras, sustentabilidade e desafios do mercado internacional
A escolha de mudas com qualidade genética e sanitária é uma das decisões mais importantes para o desempenho de uma lavoura de café conilon. Esse foi um dos principais temas do 8º Seminário Novas Tecnologias para Produção de Mudas e Cultivo de Café Conilon, realizado nos dias 2 e 3 de setembro, em Linhares.
O encontro reuniu produtores rurais, viveiristas, pesquisadores, técnicos, representantes de cooperativas e outros profissionais de diferentes regiões brasileiras. A programação foi realizada no auditório do Sesi, no bairro Aviso, com palestras e visitas técnicas.
Na abertura, o presidente da Associação Brasileira de Insumos para Agricultura Sustentável (Inpas), Carlos José Biondo, destacou que o potencial produtivo da cafeicultura começa a ser definido ainda na implantação da lavoura.
“A muda é o alicerce de uma lavoura. E é a partir de um bom alicerce que começa uma grande produção. Durante os dois dias de seminário, vamos falar sobre a importância da qualidade das mudas, porque investir no início é garantir melhores resultados lá na frente”, afirmou.
Escolha da muda influencia toda a vida da lavoura
A implantação do cafezal representa um investimento de longo prazo. Problemas relacionados à origem genética, ao sistema radicular, à nutrição ou à sanidade das mudas podem acompanhar as plantas durante vários ciclos produtivos.
Por isso, a escolha do viveiro, dos materiais genéticos e da composição de clones precisa considerar as condições de solo, clima, disponibilidade de água e sistema de manejo adotado em cada propriedade.
Mudas bem formadas contribuem para uma implantação mais uniforme, facilitam o manejo e aumentam as condições para que a lavoura expresse seu potencial produtivo. A tecnologia utilizada depois do plantio continua sendo indispensável, mas não corrige completamente as limitações de uma implantação inadequada.
O coordenador de Pesquisas do Incaper em Linhares, Lucas Fagundes, chamou a atenção para a necessidade de acompanhar problemas que têm aparecido cada vez mais cedo nas lavouras.
“Problemas nutricionais e de irrigação surgem cada vez mais precocemente. Estar aqui é uma excelente oportunidade para debater esses temas com um time notável e seleto de pesquisadores, dispostos a compartilhar conhecimento e contribuir para o avanço da produção de café durante este evento”, declarou.
Espírito Santo concentra cerca de 70% do conilon brasileiro
O Espírito Santo ocupa a liderança nacional na produção de café conilon e responde por aproximadamente 70% do volume brasileiro da espécie, conforme dados do Incaper apresentados durante o seminário.
A cultura está presente em cerca de 286 mil hectares distribuídos por 49 mil propriedades rurais de 68 municípios capixabas. O valor gerado pelo conilon representa aproximadamente 38% do Produto Interno Bruto agrícola estadual.
A combinação de pesquisa, assistência técnica, irrigação, melhoramento genético e adoção de tecnologias transformou o Estado em uma referência nacional e internacional no cultivo de Coffea canephora.
As informações sobre o evento e os indicadores da atividade foram divulgadas pela Prefeitura de Linhares.
Linhares busca aproximar produtores das novas tecnologias
Linhares ocupa posição de destaque na cafeicultura capixaba e reúne uma estrutura formada por produtores, viveiros, instituições de pesquisa, empresas de insumos e prestadores de serviços.
Para o secretário municipal de Agricultura, Rafael Buffon, a transformação observada na cultura nas últimas décadas mostra a importância da inovação para o campo.
“Perceber a evolução do mundo agrícola é olhar para o café conilon nos últimos 20 anos. Novos espaçamentos, defensivos, tecnologias e máquinas surgem a todo momento, transformando a produção”, afirmou.
Segundo ele, a realização do seminário aproxima o município de novas pesquisas e soluções que podem ser aplicadas nas propriedades.
“É um prazer para o nosso município receber um evento de tanta qualidade e relevância para o setor, reunindo conhecimento, inovação e grandes profissionais em nossa cidade”, acrescentou.
Geopolítica também interfere no mercado do conilon
Além dos temas relacionados à produção de mudas e ao manejo das lavouras, o seminário abordou os efeitos das mudanças geopolíticas sobre o mercado internacional de café.
O engenheiro Carlos Brando, profissional com atuação na Global Coffee Platform e em programas internacionais de sustentabilidade, apresentou a palestra “Impactos do contexto geopolítico na situação do café conilon”.
Durante a exposição, Brando destacou que o setor brasileiro precisa acompanhar os movimentos de concorrentes como Vietnã, Indonésia, Uganda e Índia. Esses países disputam espaço no mercado internacional de café robusta e canéfora, principalmente no fornecimento de matéria-prima para a indústria.
O avanço das exigências ambientais e de rastreabilidade também foi discutido. Entre os principais pontos está a regulamentação europeia para produtos associados ao desmatamento, que aumenta a necessidade de comprovar a origem da produção.
Na avaliação apresentada, o Brasil possui vantagens em relação a parte dos concorrentes para demonstrar o cumprimento de critérios ambientais. Transformar essa condição em oportunidade comercial, entretanto, depende da organização dos dados, da rastreabilidade das propriedades e da capacidade de atender às exigências dos compradores.
Conhecimento precisa chegar às propriedades
A realização do seminário reforçou que os avanços da cafeicultura dependem da ligação entre pesquisa, assistência técnica, produção de mudas e adoção das tecnologias nas propriedades.
O desafio não está apenas em desenvolver novos clones, insumos ou equipamentos. As informações precisam chegar ao produtor de forma prática, acompanhadas de orientações que considerem as condições reais de cada lavoura.
O 8º Seminário Novas Tecnologias para Produção de Mudas e Cultivo de Café Conilon foi promovido pela Prefeitura de Linhares, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, em parceria com o Incaper e a Associação Brasileira de Insumos para Agricultura Sustentável.
Ao colocar a qualidade das mudas no centro do debate, o encontro destacou uma etapa que ocorre antes da primeira colheita, mas que pode influenciar a produtividade, a longevidade e a rentabilidade do cafezal durante muitos anos.
