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Safra brasileira deve alcançar 353 milhões de toneladas em 2026, estima IBGE

IBGE estima safra de 353 milhões de toneladas em 2026, alta de 2% ante 2025. Soja e milho devem alcançar recordes, enquanto arroz, trigo e feijão registram quedas.

Tiago Francisco de Jesus18/08/20264 min de leitura
Safra brasileira deve alcançar 353 milhões de toneladas em 2026, estima IBGE
Imagem ilustrativa gerada por IA

Projeção de julho foi elevada em 5,6 milhões de toneladas na comparação mensal; soja e milho podem alcançar novos recordes de produção

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 353 milhões de toneladas em 2026, segundo a estimativa de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O volume projetado representa crescimento de 2% em relação à safra de 2025, estimada em 346,1 milhões de toneladas. Na comparação com o levantamento de junho, houve aumento de 1,6%, equivalente a mais 5,6 milhões de toneladas.

Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado mensalmente pelo instituto. A estimativa oficial foi publicada pelo IBGE em 13 de agosto.

A área prevista para colheita é de 83,1 milhões de hectares, crescimento de 1,8% em relação a 2025. Na comparação mensal, entretanto, houve uma pequena redução de 62,8 mil hectares, correspondente a 0,1%.

Soja e milho concentram a produção

Arroz, milho e soja representam juntos 92,9% da produção estimada e ocupam 87,4% da área prevista para colheita no país.

A soja deve alcançar 174,9 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde na série histórica do IBGE. O volume representa crescimento de 5,3% em relação a 2025.

A área cultivada com a oleaginosa chegou a 48,4 milhões de hectares, avanço de 1,3%. O rendimento médio esperado é de 3.618 quilos por hectare, resultado 4% superior ao registrado no ano anterior.

A recuperação da produtividade na Região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, e as condições climáticas consideradas favoráveis nas principais regiões produtoras contribuíram para a elevação da estimativa.

Mato Grosso permanece na liderança nacional da soja, com produção estimada em 50,7 milhões de toneladas, crescimento de 1% frente ao volume colhido em 2025.

Milho também pode alcançar novo recorde

A produção brasileira de milho foi estimada em 141,8 milhões de toneladas. O levantamento apresentou aumento de 3,9% em relação a junho, impulsionado principalmente pela revisão dos números da segunda safra.

A primeira safra deve produzir 29,9 milhões de toneladas, alta de 16,4% na comparação anual. Para a segunda safra, a previsão é de 111,9 milhões de toneladas, crescimento de 4,7% sobre a estimativa de junho, mas redução de 3,6% frente a 2025.

A revisão mensal acrescentou aproximadamente 5,3 milhões de toneladas à produção nacional de milho. Mato Grosso respondeu por 4,4 milhões de toneladas desse aumento, enquanto Mato Grosso do Sul acrescentou cerca de 900 mil toneladas.

Com o novo resultado, a produção total do cereal também deve estabelecer um recorde na série histórica do IBGE.

Arroz, feijão e trigo apresentam redução

Enquanto soja, milho e sorgo avançam, outras culturas importantes apresentam projeções inferiores às de 2025.

A produção de arroz em casca foi estimada em 11,2 milhões de toneladas, queda anual de 11,3%. Para o feijão, considerando as três safras, a previsão é de 2,8 milhões de toneladas, redução de 6,9%.

O trigo apresenta a maior retração entre as principais culturas acompanhadas. A produção deve alcançar 6,4 milhões de toneladas, queda de 18,6% em relação ao ano anterior.

Segundo o levantamento, a redução da área cultivada com trigo está relacionada à baixa rentabilidade, às perdas de produção e qualidade enfrentadas nas últimas safras e às preocupações climáticas para o segundo semestre.

A produção de algodão herbáceo em caroço foi estimada em 9,2 milhões de toneladas, recuo de 6,7% na comparação anual.

Sorgo e canola ganham espaço

A produção brasileira de sorgo deve chegar a 5,8 milhões de toneladas, alta de 7,6% sobre 2025 e de 4,5% em relação ao levantamento anterior.

O Centro-Oeste concentra 53,7% da produção nacional. Goiás lidera o cultivo, com aproximadamente 1,8 milhão de toneladas, seguido por Minas Gerais, com 1,4 milhão de toneladas.

Outro destaque foi a canola. A estimativa passou de 513,7 mil para 707,6 mil toneladas entre junho e julho, crescimento de 37,7%. A área cultivada aumentou 29%, chegando a 366,2 mil hectares.

A produção comercial de canola registrada pelo levantamento está concentrada no Rio Grande do Sul, onde a cultura vem sendo utilizada como alternativa para diversificação das lavouras de inverno e rotação com trigo e aveia.

Centro-Oeste responde por mais da metade da safra

O Centro-Oeste deve produzir 178,1 milhões de toneladas em 2026, o equivalente a 50,5% da safra nacional.

A Região Sul aparece na sequência, com 91,5 milhões de toneladas e participação de 25,9%. O Sudeste deve produzir 31,1 milhões de toneladas; o Nordeste, 29,9 milhões; e o Norte, 22,4 milhões de toneladas.

Mato Grosso mantém a posição de maior produtor nacional de grãos, respondendo por 32,1% do total. Em seguida aparecem Paraná, com 13,3%; Rio Grande do Sul, com 10,5%; Goiás, com 9,6%; Mato Grosso do Sul, com 8,5%; e Minas Gerais, com 5,5%.

Juntos, os seis estados concentram 79,5% da produção brasileira estimada para 2026.

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