Exportações de café solúvel crescem 20% em julho e consumo interno avança 14%
Exportações brasileiras de café solúvel cresceram 20% em julho. No ano, o volume avança 10,9%, enquanto o consumo interno sobe 14,4% e a receita recua 2,5%.

Brasil embarcou 8,16 mil toneladas no mês; vendas externas acumulam alta de 10,9% em 2026, enquanto maior variedade de produtos impulsiona a demanda nacional
As exportações brasileiras de café solúvel alcançaram 8,16 mil toneladas em julho de 2026, crescimento de 20% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O volume corresponde a 353.761 sacas de 60 quilos em equivalente de café verde, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Com o resultado, o Brasil acumulou 57,4 mil toneladas exportadas entre janeiro e julho, equivalentes a 2,488 milhões de sacas de café verde. O volume representa aumento de 10,9% sobre as 51,7 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.
Os dados mostram uma retomada das vendas internacionais da indústria brasileira, acompanhada pelo crescimento do consumo no mercado interno.
Receita recua mesmo com aumento do volume
Apesar da expansão das exportações, a receita cambial acumulada nos sete primeiros meses de 2026 diminuiu.
O faturamento alcançou US$ 663,5 milhões, queda de 2,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Segundo o diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, o comportamento está relacionado aos preços internacionais, que permanecem abaixo dos níveis excepcionais observados no ano passado.
“Embarcamos bastante mais café e faturamos praticamente o mesmo”, resumiu o dirigente.
O resultado indica redução do valor médio obtido por tonelada exportada. Mesmo assim, a queda de 2,5% na receita foi considerada limitada diante do crescimento de 10,9% no volume comercializado.
Estados Unidos retomam compras em julho
Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino do café solúvel brasileiro. Entre janeiro e julho, o país adquiriu 8,4 mil toneladas, redução de 12% na comparação anual.
O recuo acumulado foi influenciado pela sobretaxa que permaneceu em vigor durante a maior parte do período analisado. Em julho, porém, as exportações ao mercado norte-americano voltaram a crescer.
O Brasil embarcou 1,3 mil toneladas aos Estados Unidos no mês, alta de 9,5% em relação a julho de 2025.
Na segunda quinzena de julho, o café solúvel foi incluído na lista de produtos isentos da nova tarifa norte-americana. Como a mudança ocorreu somente nos últimos dias do mês, seus efeitos ainda não aparecem integralmente nos dados divulgados.
A Abics espera que a retirada da sobretaxa favoreça uma recuperação mais consistente das vendas nos próximos meses. A entidade divulgou uma nota conjunta sobre a isenção do café brasileiro.
Países produtores ampliam compras do Brasil
Argentina e Rússia aparecem depois dos Estados Unidos entre os maiores compradores. Os dois países importaram 4,6 mil toneladas nos primeiros sete meses do ano.
Enquanto as vendas para a Argentina recuaram 9,6%, os embarques destinados à Rússia cresceram 21,9%.
Também chama atenção o aumento das compras realizadas por países que possuem indústrias tradicionais de café solúvel, como Colômbia, Indonésia, México e Vietnã.
PosiçãoDestinoVolume em 2026Variação anual1ºEstados Unidos8,4 mil toneladas-12%2ºArgentina4,6 mil toneladas-9,6%3ºRússia4,6 mil toneladas+21,9%4ºColômbia3,4 mil toneladas+145,7%5ºIndonésia3,2 mil toneladas+49,6%6ºPolôniaNão informado+40,6%7ºEstôniaNão informado+103,4%8ºPaíses BaixosNão informado+36,9%9ºMéxico2,3 mil toneladas+33,2%10ºVietnã2,2 mil toneladas+67,2%
Para a Abics, o aumento das vendas para países que também fabricam café solúvel demonstra a competitividade da indústria brasileira no fornecimento internacional.
Exportações para a União Europeia avançam 51,4%
Os embarques para a União Europeia também ganharam força. Entre maio e o fim de julho, o Brasil exportou 5,2 mil toneladas de café solúvel para o bloco, crescimento de 51,4%.
O avanço coincide com o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em 1º de maio de 2026. O acordo estabeleceu reduções tarifárias e novas regras para o comércio entre os dois blocos.
Polônia, Estônia e Países Baixos estão entre os dez maiores compradores do produto brasileiro e registraram crescimentos de 40,6%, 103,4% e 36,9%, respectivamente.
A aplicação provisória do acordo em maio foi confirmada pela Comissão Europeia.
Embora os resultados indiquem uma reação do mercado europeu, a Abics avalia que a mudança é recente e ainda não teve tempo suficiente para produzir todos os efeitos esperados sobre o fluxo comercial.
Consumo interno aumenta 14,4%
O café solúvel também ganhou espaço entre os consumidores brasileiros.
Entre janeiro e julho, o mercado interno absorveu 17,3 mil toneladas do produto, equivalentes a 751 mil sacas de café verde. O volume representa crescimento de 14,4% na comparação com os sete primeiros meses de 2025.
Segundo a consultora de Mercado Interno da Abics, Eliana Relvas, a expansão está relacionada à maior variedade de produtos disponíveis nas prateleiras.
A indústria ampliou a oferta de cafés solúveis orgânicos, descafeinados, premium e de maior qualidade. O produto também passou a ser utilizado com maior frequência como ingrediente em bebidas prontas, misturas em pó e suplementos com proteína.
A praticidade de preparo e a redução da antiga percepção de que o café solúvel possui qualidade inferior também contribuem para o crescimento da categoria.
Resultado favorece demanda por café conilon
O desempenho da indústria possui importância para a cafeicultura capixaba. O café conilon é uma das principais matérias-primas utilizadas na produção de solúvel por apresentar elevado rendimento na extração industrial.
O crescimento das exportações e do consumo interno amplia a necessidade de matéria-prima pelas fábricas e fortalece as perspectivas de demanda para o conilon.
Isso não significa, necessariamente, elevação imediata dos preços pagos aos produtores. O comportamento das cotações também depende da oferta da safra, dos estoques, dos contratos industriais, do câmbio e das condições do mercado internacional.
Os dados completos foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel.
