Preço recorde mitiga quebra de braço nas exportações de café na safra 2025/26
Receita Resiliente: O Brasil encerrou o ano-safra 2025/26 (julho a junho) com receita cambial de US$ 14,595 bilhões.

Receita Resiliente: O Brasil encerrou o ano-safra 2025/26 (julho a junho) com receita cambial de US$ 14,595 bilhões. O valor representa um leve recuo de 1% frente ao ciclo anterior, consolidando-se como o segundo melhor desempenho da história da cafeicultura nacional. Queda no Volume: Foram exportadas 38,462 milhões de sacas de 60 kg para 125 países, uma retração de 15,7%. A queda reflete estoques internos mais baixos após o recorde de 2024 e perdas produtivas causadas por adversidades climáticas na safra 2025.
Preço Médio Recorde: O principal fator de sustentação financeira foi o preço médio do grão, que atingiu o recorde histórico de US$ 379,48 por saca (+17,4%). A valorização foi impulsionada pelo mercado global ajustado e pela forte capitalização dos produtores nacionais, que seguraram as vendas na entressafra para buscar melhores margens. Gargalos Logísticos: O Cecafé destaca que a quebra no volume foi agravada por severos entraves nos portos brasileiros (especialmente Santos e Rio de Janeiro). Pátios cheios e atrasos de navios geraram custos milionários extras com armazenagem e sobretaxas (detentions).
Mudança no Top 1: Devido ao "tarifaço" temporário de 50% imposto pelos EUA (que derrubou os embarques ao país em 54,9% entre agosto e novembro), os americanos perderam a liderança histórica do mercado que ocupavam desde 2009/10. A Alemanha assumiu o posto de maior comprador do café brasileiro, absorvendo 5,188 milhões de sacas. Variedades e Qualidade: O café arábica liderou com 76,7% dos embarques. O segmento de cafés diferenciados (sustentáveis/especiais) manteve forte valor agregado: respondeu por 19,2% do volume total, mas abocanhou 21,7% da receita cambial do setor (US$ 3,160 bilhões), registrando preço médio de US$ 427,70 por saca.
Perspectiva: Para o ciclo 2026/27, iniciado neste mês de julho, o mercado opera em compasso de espera. Produtores adotam postura conservadora diante de incertezas climáticas e atrasos pontuais na colheita da nova safra.
