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Surtos de salmonela na Europa reforçam cuidados com ovos e alimentos crus

Reino Unido investiga 528 casos e duas mortes por salmonela possivelmente ligados a ovos importados. Ocorrências reforçam cuidados com cozimento, higiene e contaminação cruzada.

Tiago Francisco de Jesus03/09/20264 min de leitura
Surtos de salmonela na Europa reforçam cuidados com ovos e alimentos crus
Imagem ilustrativa gerada por IA

Reino Unido investiga 528 casos e duas mortes possivelmente relacionados a ovos importados; autoridades também recolheram produtos na Bélgica, mas não divulgaram ligação entre os episódios

Investigações sobre casos de salmonela na Europa voltaram a chamar a atenção para os cuidados necessários no armazenamento e no preparo dos alimentos. O alerta envolve principalmente ovos, mas também reforça a importância de evitar a contaminação cruzada com carnes e aves cruas.

No Reino Unido, as autoridades sanitárias investigam três grupos distintos de infecções por Salmonella Enteritidis. Até 1º de setembro, haviam sido confirmados 528 casos e duas mortes associadas aos episódios na Inglaterra.

As evidências disponíveis indicam uma possível relação com ovos importados, mas a origem exata ainda não foi definida. Os casos foram associados ao consumo de alimentos preparados em diferentes estabelecimentos, como cafés, restaurantes e serviços de entrega.

Segundo a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), os três grupos são geneticamente distintos e estão sendo investigados paralelamente. O órgão considera baixo o risco geral para a população.

Bélgica recolhe ovos por possível presença da bactéria

Em uma ocorrência separada, a Agência Federal para a Segurança da Cadeia Alimentar da Bélgica determinou, em agosto, o recolhimento de ovos produzidos pela empresa Laerco BV.

O recall atingiu produtos com os códigos 2-BE-1073-01, 2-BE-1073-02, 2-BE-1073-03 e 2-BE-1073-04, após a identificação de possível presença de salmonela. A orientação aos consumidores europeus foi não consumir os ovos e devolvê-los ao local da compra.

O comunicado oficial da autoridade sanitária belga não estabelece relação direta entre esse recolhimento e os três grupos investigados no Reino Unido.

Nas fontes oficiais consultadas, também não há indicação de que os lotes envolvidos nos alertas tenham sido comercializados no Brasil. Isso não elimina a necessidade de cuidados cotidianos, já que a salmonela pode estar presente em diferentes alimentos, independentemente desses episódios europeus.

Notificações cresceram 27,2% na Inglaterra

Dados provisórios do sistema britânico de vigilância mostram que a Inglaterra registrou 2.020 notificações laboratoriais de salmonela não tifoide no primeiro trimestre de 2026.

No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizadas 1.588 notificações. O crescimento foi de 27,2%, segundo o levantamento publicado pela UKHSA.

Os números gerais incluem casos adquiridos fora do país e não correspondem exclusivamente aos surtos relacionados a ovos.

Como ocorre a transmissão da salmonela

Salmonela é o nome dado a um grupo de bactérias capazes de provocar infecções gastrointestinais. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

Ovos e aves aparecem frequentemente associados à bactéria, mas não são os únicos produtos que podem transmiti-la. Carnes, leite não pasteurizado, frutas, verduras, chocolate, pasta de amendoim e outros alimentos também já estiveram relacionados a episódios de contaminação.

A infecção ainda pode ocorrer pelo contato com animais, fezes, água ou ambientes contaminados.

O médico-veterinário e doutor em Ciência Animal Alberto Gonçalves Evangelista explica que a bactéria possui elevada capacidade de adaptação.

“Ela contamina água e alimentos, impactando a saúde pública de forma massiva”, afirma.

Alimento contaminado pode parecer normal

A presença de salmonela nem sempre modifica o cheiro, o sabor, a cor ou a textura do produto. Um ovo ou pedaço de carne pode parecer normal e, ainda assim, carregar a bactéria.

Por isso, observar apenas a aparência não é suficiente para determinar se um alimento está seguro. Procedência, armazenamento, higiene, separação entre alimentos crus e prontos e cozimento completo são barreiras mais confiáveis.

De acordo com o Ministério da Saúde, carnes e ovos devem ser bem cozidos, enquanto frutas e verduras precisam ser corretamente higienizadas antes do consumo.

Lavar frango cru pode espalhar bactérias

Um dos hábitos que aumentam o risco de contaminação cruzada é lavar o frango cru antes do preparo. A água não elimina de maneira segura os microrganismos presentes na carne.

Os respingos podem transportar bactérias para a pia, a torneira, a bancada, os utensílios e os alimentos próximos. A recomendação é levar o frango diretamente ao cozimento, mantendo-o separado de produtos que serão consumidos crus.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) orienta ainda a utilização de tábuas separadas e a lavagem das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos depois do contato com aves cruas.

O frango deve atingir cozimento completo também nas partes internas. A cor branca da carne, isoladamente, não garante que todas as regiões tenham alcançado uma temperatura segura. Quando disponível, o termômetro culinário é o método mais confiável para conferir o cozimento.

Contaminação pode ocorrer depois do cozimento

Mesmo um alimento corretamente cozido pode voltar a ser contaminado. Isso acontece, por exemplo, quando a carne pronta é colocada no mesmo prato que recebeu o produto cru.

Facas, pegadores, tábuas, mãos e bancadas também podem transportar microrganismos para saladas e outros alimentos que não passarão pelo fogo.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • lavar as mãos antes, durante e depois do preparo;
  • separar carnes, aves e ovos crus dos alimentos prontos;
  • utilizar tábuas e utensílios diferentes, quando possível;
  • higienizar bancadas, pratos e equipamentos após o contato com produtos crus;
  • manter alimentos perecíveis refrigerados;
  • cozinhar completamente carnes e ovos;
  • utilizar ovos pasteurizados em receitas que serão consumidas cruas ou malpassadas;
  • não reutilizar pratos e utensílios contaminados sem higienização.

Mitos e verdades sobre a salmonela

AfirmaçãoRespostaExplicaçãoÉ possível reconhecer um alimento contaminado pelo cheiroMitoA bactéria pode estar presente sem alterar cheiro, sabor, cor ou aparênciaLavar o frango cru deixa a carne mais seguraMitoOs respingos podem espalhar microrganismos pela cozinhaLimão ou vinagre eliminam a salmonelaMitoEsses ingredientes não substituem o cozimento completoGeladeira e congelador matam a bactériaMitoO frio reduz ou interrompe a multiplicação, mas não garante a eliminaçãoOvos caipiras e orgânicos não transmitem salmonelaMitoO sistema de produção, sozinho, não assegura a ausência da bactériaSó ovos e frango podem transmitir a doençaMitoCarnes, leite cru, vegetais, água e outros produtos também podem ser veículosCozinhar completamente é uma das principais formas de prevençãoVerdadeO tratamento térmico adequado destrói a bactériaPreparações com ovo cru exigem cuidado especialVerdadeOvos pasteurizados reduzem o risco em maioneses, mousses e outras receitas sem cozimentoUma salada pode ser contaminada sem tocar diretamente no frangoVerdadeMãos, facas, tábuas e superfícies podem transportar microrganismosTodo caso precisa de antibióticoMitoA maioria das pessoas se recupera sem antibióticos, que devem ser utilizados somente com orientação médica

Quais são os sintomas

Os sintomas mais comuns incluem diarreia, cólicas abdominais, febre, náuseas e, eventualmente, vômitos. Conforme a Organização Mundial da Saúde, eles geralmente aparecem entre seis e 72 horas após a contaminação e podem permanecer por dois a sete dias.

Na maioria dos casos, a infecção desaparece sem tratamento específico. A hidratação é fundamental para repor os líquidos perdidos.

Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes com determinadas condições de saúde apresentam maior risco de complicações.

Em quadros graves, a bactéria pode ultrapassar o intestino e alcançar a corrente sanguínea, provocando infecção sistêmica e sepse.

Deve-se buscar atendimento médico diante de sangue nas fezes, vômitos persistentes, febre alta, redução da urina, sede intensa, tontura, boca seca ou outros sinais de desidratação. A atenção precisa ser redobrada quando os sintomas atingem pessoas pertencentes aos grupos de maior risco.

O Ministério da Saúde destaca que antibióticos não são recomendados rotineiramente para casos leves ou moderados em pessoas saudáveis. A indicação depende da gravidade, das condições do paciente e da avaliação de um profissional de saúde.

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