Frio aumenta risco de ressecamento e dermatites em cães; veja os cuidados no inverno
Frio e baixa umidade podem aumentar coceiras e dermatites em cães. Banhos menos frequentes, água morna, produtos veterinários e secagem completa ajudam a proteger a pele dos pets.

Reduzir a frequência dos banhos, evitar água muito quente e utilizar produtos específicos ajudam a proteger a pele e a pelagem dos animais
As temperaturas mais baixas e a redução da umidade do ar durante o inverno podem favorecer o ressecamento da pele, as coceiras e o agravamento de dermatites nos animais de estimação. Nesse período, os tutores precisam redobrar os cuidados com os banhos, a secagem e a escolha dos produtos utilizados nos cães.
Segundo a médica-veterinária Nathália Starek, o excesso de banhos e o uso de produtos inadequados podem retirar a proteção natural da pele e intensificar os desconfortos.
Durante o inverno, a pele tende a apresentar menor umidade superficial e fica mais vulnerável. Banhos muito frequentes podem remover os lipídios naturais, alterar a microbiota protetora e comprometer a barreira cutânea do animal.
Tipo de pelagem influencia os cuidados
As necessidades variam conforme as características da pelagem. Cães com subpelo, também conhecido como pelagem dupla, exigem atenção especial. É o caso de raças como spitz alemão, husky siberiano e samoieda.
Durante o período mais frio, o organismo desses animais tende a reter o subpelo por mais tempo, formando uma camada mais densa para conservar o calor corporal.
Essa alteração pode dar a impressão de que o pelo deixou de cair. Na realidade, a pelagem está sendo preservada como proteção térmica. O excesso de banhos e os ambientes muito secos podem deixar os fios e a pele ainda mais ressecados.
Já os cães de pelagem simples, como maltês, poodle e shih-tzu, possuem pouco ou nenhum subpelo. Por isso, dependem mais da temperatura do ambiente para permanecer aquecidos e também podem sofrer intensamente com os efeitos de banhos frequentes.
Coceira e caspa funcionam como sinais de alerta
Coceira persistente, caspa, pelagem opaca, queda excessiva dos pelos e aparecimento ou agravamento de dermatites podem indicar que os banhos estão muito frequentes ou que os produtos utilizados não são adequados.
De acordo com a veterinária, a manutenção diária da pelagem pode reduzir a necessidade dos banhos completos. A escovação ajuda a retirar sujeiras, pelos soltos e pequenos resíduos, além de permitir que o tutor observe alterações na pele.
A frequência ideal dos banhos deve considerar a raça, o tipo de pelo, a rotina, o ambiente e as condições de saúde de cada animal. Em alguns casos, a especialista recomenda intervalos de até 45 dias durante o inverno. A orientação individual de um médico-veterinário deve prevalecer, especialmente para animais em tratamento dermatológico.
Água muito quente pode piorar o ressecamento
Outro cuidado importante é evitar banhos com água excessivamente quente. Apesar de proporcionar uma sensação de conforto nos dias frios, a temperatura elevada pode remover a oleosidade natural e agravar o ressecamento.
Os shampoos, condicionadores e demais produtos tópicos devem ser formulados especificamente para animais e respeitar as características da pele dos cães. Produtos destinados ao uso humano não são recomendados, pois possuem composição e pH diferentes.
Após o banho, o animal precisa ser completamente seco. A umidade acumulada entre os pelos, principalmente em cães com pelagem densa, pode favorecer a proliferação de fungos e outros problemas dermatológicos. O secador deve ser utilizado em temperatura moderada e mantido a uma distância segura da pele.
Hidratação e alimentação também protegem a pele
Os cuidados não devem ficar restritos à parte externa. O consumo adequado de água e uma alimentação equilibrada são importantes para a saúde da pele e da pelagem.
A veterinária alerta que alterações externas também podem estar associadas a outros problemas de saúde. Queda de pelos fora de época, coceira intensa, feridas, vermelhidão, mau cheiro e mudanças de comportamento precisam ser investigadas.
Caso os sintomas persistam ou se intensifiquem, o tutor deve procurar atendimento veterinário. A avaliação profissional é necessária para identificar a causa e evitar que tratamentos caseiros agravem o quadro.
