El Niño forte em 2026 aumenta risco de excesso de chuva no Sul e seca no centro-norte do Brasil
El Niño forte pode provocar excesso de chuva no Sul e calor com seca no centro-norte do Brasil, elevando riscos para o plantio, a irrigação e as colheitas.

Fenômeno pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, afetando o plantio, a irrigação, as colheitas e o manejo das lavouras
O fortalecimento do El Niño em 2026 deverá provocar condições climáticas opostas nas regiões produtoras do Brasil. Enquanto o Sul enfrenta maior probabilidade de chuva acima da média, grande parte do centro-norte poderá registrar calor intenso, baixa umidade e redução das precipitações.
O cenário exige planejamento dos produtores para a safra 2026/27. Entre os riscos estão excesso de umidade, doenças fúngicas e dificuldades operacionais no Sul, além de deficiência hídrica, maior demanda por irrigação, incêndios e possível atraso no plantio nas demais regiões.
O fenômeno foi confirmado em junho e deverá persistir pelo menos até o início de 2027. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à NOAA, estima em 81% a possibilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Como o El Niño deve afetar a agricultura brasileira em 2026
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica e interfere na distribuição das chuvas e das temperaturas.
Para o Brasil, o padrão associado ao fenômeno favorece precipitações acima da média em áreas da Região Sul e volumes abaixo do normal no centro-norte do país. As temperaturas também tendem a permanecer elevadas em grande parte do território nacional. Painel El Niño 2026–2027
Os efeitos, entretanto, dependem da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das condições locais. Uma previsão de precipitação abaixo da média não elimina a possibilidade de temporais isolados, assim como chuva acima da média não significa ocorrência contínua em todos os municípios.
Sul terá maior risco de excesso de chuva
A Região Sul deverá concentrar os maiores volumes de precipitação. A tendência de chuva acima da média também poderá alcançar o sul de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.
A maior disponibilidade de água no solo pode beneficiar o trigo e outras culturas de inverno, além de favorecer a implantação das lavouras de milho e soja.
Por outro lado, períodos prolongados de umidade aumentam a pressão de doenças fúngicas. O excesso de chuva também pode dificultar pulverizações, adubações, colheitas e o preparo das áreas para a safra de verão.
Entre os principais riscos para o produtor estão:
- atraso na colheita;
- dificuldade para entrada de máquinas;
- compactação do solo;
- perdas de qualidade dos grãos;
- necessidade de replantio;
- aumento da incidência de doenças;
- alagamentos e erosão.
O monitoramento hidrológico também merece atenção, especialmente nas bacias dos rios Uruguai, Caí, Taquari e Sinos. A continuidade das chuvas pode manter o risco de novas cheias ao longo do segundo semestre.
Sudeste pode ter calor e maior restrição hídrica
No Sudeste, o tempo mais seco tende a facilitar a colheita das culturas de segunda safra e de inverno. Entretanto, a combinação de temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água pode reduzir o potencial produtivo das lavouras.
Café, cana-de-açúcar, citros, pastagens e outras culturas perenes ficam mais expostos ao estresse hídrico. O produtor deverá acompanhar a umidade do solo e ajustar a irrigação de acordo com a necessidade de cada cultura.
Um eventual atraso no retorno das chuvas durante a primavera também pode comprometer o preparo do solo e a implantação da safra de verão.
Centro-Oeste pode enfrentar atraso no plantio da soja
No Centro-Oeste, o período seco favorece a conclusão da colheita do milho segunda safra, algodão, sorgo e cultivos tardios.
O problema deverá aparecer na transição para o próximo ciclo. Se as chuvas demorarem a se regularizar, o plantio da soja poderá ser adiado, afetando também a janela de cultivo do milho segunda safra.
As altas temperaturas podem acelerar a perda de água do solo, prejudicar as pastagens e reduzir a disponibilidade nos reservatórios utilizados para irrigação e dessedentação dos animais.
Norte terá maior demanda por irrigação
Na Região Norte, o tempo seco pode ajudar na colheita do milho segunda safra e do algodão. Em contrapartida, culturas perenes e áreas irrigadas poderão enfrentar maior demanda por água.
A previsão aponta chuva abaixo da média em parte da Amazônia Legal, incluindo áreas do Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Maranhão, Rondônia, Acre e norte do Tocantins.
A persistência de intervalos secos limita a recuperação da umidade do solo, favorece o ressecamento da vegetação e aumenta o risco de incêndios. O El Niño também pode atrasar a instalação da estação chuvosa no sul da Amazônia.
Nordeste pode ter dificuldades na safra de verão
No Nordeste, o tempo seco favorece a colheita do milho segunda safra e do algodão em áreas do Matopiba. No entanto, a restrição de chuva poderá dificultar o estabelecimento das lavouras de verão.
As plantações conduzidas em sequeiro apresentam maior vulnerabilidade. A pecuária também pode enfrentar redução da disponibilidade de água e menor oferta de pastagens.
A previsão para o Nordeste aponta temperaturas acima da média e maior possibilidade de chuva abaixo do normal em diferentes áreas. Episódios localizados de precipitação intensa, contudo, ainda podem ocorrer. Instituto Nacional do Semiárido
Risco de incêndios cresce no interior do Brasil
O calor, a baixa umidade e a falta de chuva deverão elevar o risco de incêndios entre agosto e outubro.
As principais áreas de atenção incluem Mato Grosso, Minas Gerais, o oeste do Nordeste e grande parte da Região Norte. Na Amazônia Legal, o alerta se concentra especialmente em Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso, Amazonas, Acre e Rondônia.
Além dos prejuízos ambientais, a fumaça pode afetar animais, trabalhadores rurais, lavouras e operações de transporte.
Como o produtor pode se preparar para o El Niño
Diante das diferenças regionais, o planejamento deverá considerar o histórico da propriedade e as previsões de curto e médio prazo.
Entre as medidas recomendadas estão:
- revisar sistemas de drenagem no Sul;
- intensificar o monitoramento de doenças fúngicas;
- planejar a irrigação e verificar a disponibilidade de água;
- preservar a cobertura do solo;
- revisar aceiros e equipamentos de combate a incêndios;
- evitar plantios antes da regularização das chuvas;
- acompanhar o zoneamento agrícola e os boletins meteorológicos;
- revisar o seguro rural e as estratégias de gestão de risco.
As previsões sazonais indicam tendências gerais e podem sofrer atualizações. Por isso, produtores e técnicos devem acompanhar regularmente os comunicados do Inmet, Inpe, Cemaden, ANA e órgãos estaduais.
