Evento em Curitiba debate bioinsumos, controle biológico e novas tecnologias agrícolas
XXII Relare reunirá especialistas nos dias 19 e 20 de agosto, em Curitiba, para discutir inoculantes, controle biológico, qualidade, legislação e novas tecnologias para o campo.

XXII Relare será realizada nos dias 19 e 20 de agosto e reunirá pesquisadores, empresas e órgãos de fiscalização para discutir microrganismos aplicados à agricultura
O uso de microrganismos benéficos na agricultura estará no centro dos debates da XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare).
O evento será realizado nos dias 19 e 20 de agosto, no Centro de Eventos Sistema Fiep, em Curitiba, no Paraná. A programação abordará controle biológico, qualidade dos bioinsumos, validação de novos produtos, legislação e desafios para o crescimento do mercado.
A expectativa é reunir aproximadamente 200 participantes, entre pesquisadores, representantes de universidades, indústrias, órgãos fiscalizadores e empresas de consultoria.
“Pretendemos debater e compartilhar dados técnico-científicos voltados à sustentabilidade da produção agropecuária”, afirma Marco Antonio Nogueira, pesquisador da Embrapa Soja e presidente da XXII Relare.
Bioinsumos ganham espaço na agricultura brasileira
O crescimento dos bioinsumos está relacionado à busca por sistemas produtivos mais eficientes e à alta dos preços internacionais dos insumos sintéticos.
Esses produtos utilizam organismos vivos, substâncias naturais ou processos biológicos para auxiliar no desenvolvimento das plantas, na nutrição das lavouras e no controle de pragas e doenças.
Entre os exemplos mais conhecidos estão os inoculantes, formulados com microrganismos benéficos, como bactérias e fungos.
Segundo Nogueira, dependendo da cultura e da finalidade, os insumos biológicos podem atender parcial ou integralmente determinadas necessidades da produção agrícola.
Microrganismos auxiliam na nutrição das plantas
A utilização de bactérias fixadoras de nitrogênio já está consolidada na soja, no feijão e em outras leguminosas. As pesquisas também avançam no desenvolvimento de soluções para gramíneas, como milho, trigo e arroz.
Nessas culturas, os microrganismos podem ajudar as plantas a utilizar os nutrientes com maior eficiência, principalmente o nitrogênio disponível no solo e aplicado por meio da adubação.
Também estão sendo desenvolvidos produtos capazes de mobilizar o fósforo. Esses microrganismos auxiliam as plantas a acessar formas do nutriente que permanecem pouco disponíveis no solo.
Culturas com elevada demanda nutricional, como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens, estão entre as que apresentam maior potencial para ampliar o uso dessas tecnologias.
Inoculação pode elevar produtividade da soja
Na cultura da soja, a Fixação Biológica do Nitrogênio permite dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados minerais.
Conforme informações apresentadas pelo pesquisador, aproximadamente 85% da área brasileira de soja utiliza a tecnologia em cada safra.
Mesmo em áreas onde as bactérias já estão estabelecidas no solo, a recomendação é realizar a inoculação anualmente. Segundo Nogueira, a aplicação pode proporcionar ganhos médios de produtividade entre 8% e 16%, dependendo das condições da lavoura e do manejo adotado.
Na última safra, levantamento da Embrapa aponta que a substituição dos fertilizantes nitrogenados pela fixação biológica proporcionou uma economia estimada em US$ 28 bilhões para o Brasil.
A tecnologia também teria evitado a emissão de quase 280 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, volume comparável às emissões anuais de aproximadamente 60 milhões de automóveis de passeio.
Milho amplia utilização de inoculantes
No milho, especialmente na segunda safra, a utilização de inoculantes também apresenta crescimento. A estimativa é que a comercialização de doses destinadas às gramíneas já ultrapasse 40 milhões de unidades por ano.
Diferentemente da soja, os inoculantes ainda não substituem completamente os fertilizantes nitrogenados na cultura do milho. Entretanto, podem elevar a eficiência de aproveitamento dos nutrientes.
“Em determinadas condições, essas tecnologias permitem reduzir em até 25% a adubação nitrogenada de cobertura”, explica Nogueira.
Os resultados dependem de fatores como solo, clima, cultivar, manejo, qualidade do produto e forma de aplicação. Por isso, a utilização deve seguir as recomendações técnicas e considerar produtos devidamente registrados.
Controle biológico amplia mercado
Os bioinsumos também estão ganhando participação no manejo de pragas e doenças nas principais culturas agrícolas do país.
O controle biológico utiliza organismos ou seus derivados para reduzir populações de insetos, fungos e outros agentes capazes de causar prejuízos às lavouras.
De acordo com o pesquisador, a expansão está sendo impulsionada pelos resultados econômicos e pelos possíveis benefícios ambientais, como a menor dependência de produtos químicos e a redução dos impactos relacionados à fabricação e ao transporte desses insumos.
A ampliação do mercado, entretanto, exige protocolos de qualidade, fiscalização, validação científica e regras claras para garantir eficiência e segurança aos produtores.
Trabalhos podem ser enviados até 15 de agosto
A comissão organizadora receberá resumos científicos até 15 de agosto. Os trabalhos selecionados serão apresentados em uma sessão de pôsteres e publicados nos anais da XXII Relare.
Para realizar a submissão, o participante deverá estar previamente inscrito no site oficial do evento.
Pesquisadores interessados em apresentar tecnologias e outros ativos aos representantes da indústria também poderão enviar uma breve descrição para a organização até 15 de agosto, conforme as orientações e o modelo disponibilizado no site.
A XXII Relare é promovida pela Embrapa, em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpiii Bio) e a CropLife Brasil. O encontro também conta com apoio do INCT MicroAgro e da Fundação Araucária.
Fonte: Embrapa Soja e organização da XXII Relare.
