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Nanotecnologia reduz efeitos da salinidade e melhora desenvolvimento de tomateiros

Estudo mostra que nanopartículas de manganês e quitosana reduziram os danos da salinidade em tomateiros, ampliando a biomassa, os pigmentos e as defesas antioxidantes.

Redação Valor do Agro28/07/20263 min de leitura
Nanotecnologia reduz efeitos da salinidade e melhora desenvolvimento de tomateiros
Imagem ilustrativa gerada por IA

Aplicação combinada de nanopartículas de manganês e quitosana aumentou a biomassa e os pigmentos fotossintéticos em experimento realizado em casa de vegetação

Uma combinação de nanopartículas de óxido de manganês com quitosana apresentou resultados promissores na redução dos danos provocados pela salinidade em tomateiros.

No nível mais elevado de estresse salino analisado, a aplicação foliar dobrou a massa fresca da parte aérea e aumentou em 55,5% a massa fresca das raízes, em comparação com as plantas que não receberam o tratamento.

O estudo foi liderado por Hamidreza Sharifan, pesquisador da Universidade do Texas em El Paso, nos Estados Unidos. O experimento avaliou tomateiros submetidos a três concentrações de cloreto de sódio: zero, 40 e 80 milimoles por litro.

Os pesquisadores utilizaram 10 miligramas por litro de nanopartículas de óxido de manganês e 150 miligramas por litro de quitosana. As substâncias foram aplicadas separadamente e também de maneira combinada.

Combinação apresentou os melhores resultados

A aplicação conjunta das duas substâncias demonstrou o melhor desempenho entre as plantas expostas à maior concentração de sal.

O tratamento promoveu aumento de 25,8% no teor de clorofila a e de 29,4% na clorofila b. A clorofila total avançou 35,8%, enquanto a concentração de carotenoides cresceu 91,1%.

Esses pigmentos desempenham funções importantes na fotossíntese e na proteção das plantas contra danos provocados por condições ambientais adversas.

A combinação também reduziu a presença de indicadores relacionados ao estresse oxidativo, como malondialdeído e aldeídos. Ao mesmo tempo, estimulou mecanismos naturais de defesa dos tomateiros.

A atividade da enzima guaiacol peroxidase aumentou em até 300%, enquanto a polifenol oxidase apresentou crescimento de 104%. Os pesquisadores também identificaram ganhos nos níveis de compostos fenólicos, flavonoides, proteínas solúveis e atividade antioxidante.

Salinidade ameaça áreas irrigadas

A presença excessiva de sais no solo ou na água dificulta a absorção de água pelas raízes, prejudica a fotossíntese e pode provocar desequilíbrios nutricionais nas plantas.

O problema atinge mais de 8,2 milhões de quilômetros quadrados em todo o mundo e ameaça entre 20% e 30% das áreas agrícolas irrigadas. Os impactos são especialmente preocupantes em regiões áridas e semiáridas.

Além de reduzir o crescimento das plantas, a salinidade pode comprometer a produtividade e aumentar os custos de produção, tornando necessárias novas tecnologias para ampliar a tolerância das culturas.

Resultados ainda precisam ser confirmados no campo

Apesar dos avanços observados, o estudo foi realizado em condições controladas de casa de vegetação. Por isso, os resultados ainda não representam uma recomendação direta de aplicação comercial nas lavouras.

Novas pesquisas serão necessárias para avaliar o desempenho da tecnologia em campo, definir doses adequadas e verificar possíveis efeitos de longo prazo sobre o solo, as plantas e a segurança ambiental.

A pesquisa indica, entretanto, que a combinação de nanopartículas de óxido de manganês e quitosana pode se tornar uma ferramenta relevante para aumentar a tolerância dos tomateiros ao estresse salino.

Estudo científico: DOI 10.1080/15226514.2026.2669640 Adaptação jornalística: Valor do Agro.

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