Brasil precisa acelerar restauração para recuperar 12 milhões de hectares até 2030
Brasil possui 3,4 milhões de hectares em restauração e precisa chegar a 12 milhões até 2030. A meta deve ampliar a demanda por sementes, mudas, viveiros e serviços ambientais.

País possui 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação, mas ampliação dos projetos exigirá mais sementes, mudas, viveiros e assistência técnica
O Brasil estabeleceu a meta de recuperar pelo menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. O objetivo faz parte do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e amplia as oportunidades para produtores de sementes, viveiros, prestadores de serviços e profissionais especializados em restauração ambiental.
Atualmente, aproximadamente 3,4 milhões de hectares estão em processo de restauração no país. O volume corresponde a cerca de 28% da meta nacional, indicando que o ritmo das ações precisará aumentar nos próximos anos.
A recuperação de áreas degradadas vem ganhando importância diante dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, da implementação de programas públicos e da crescente procura das empresas por soluções baseadas na natureza.
Restauração ambiental movimenta nova cadeia produtiva
O avanço dos projetos em larga escala depende da formação de uma cadeia capaz de fornecer sementes de espécies nativas, mudas, equipamentos, planejamento e conhecimento técnico.
O processo começa antes da implantação das mudas no campo. Entre as etapas estão a identificação de árvores matrizes, coleta e beneficiamento das sementes, rastreabilidade genética, produção nos viveiros, análise da área e seleção das espécies adequadas para cada ambiente.
Segundo o especialista em sustentabilidade Fernando Vincenti, o cumprimento das metas estabelecidas para 2030 dependerá da estruturação dessa cadeia.
“Os resultados que precisamos alcançar somente serão possíveis com projetos de restauração ambiental conduzidos com o conhecimento técnico adequado”, afirma.
Para o especialista, não basta aumentar a quantidade de mudas disponíveis. É necessário garantir diversidade genética, procedência dos materiais e compatibilidade das espécies com as características de cada território.
Programa prevê restaurar 600 mil hectares
Entre as iniciativas em andamento está o programa Restaura Biomas, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e executado em parceria com organizações da sociedade civil.
O programa prevê a restauração de 600 mil hectares e o manejo sustentável de outros 1,2 milhão de hectares. A estimativa é capturar 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono e beneficiar aproximadamente 150 mil pessoas.
Os projetos podem gerar oportunidades econômicas em diferentes regiões, principalmente para comunidades envolvidas com coleta de sementes, produção de mudas, implantação das áreas e monitoramento ambiental.
A restauração também pode favorecer a proteção do solo, a recuperação de nascentes, a formação de corredores ecológicos e a regularização ambiental de propriedades rurais.
Produção de mudas precisa ganhar escala
A capacidade dos viveiros será um dos pontos estratégicos para transformar as metas nacionais em ações concretas. A expansão deverá considerar não apenas o número de mudas, mas também a diversidade de espécies necessárias para recuperar os diferentes biomas brasileiros.
“Produzir mudas, monitorar matrizes, estruturar viveiros e executar projetos de restauração são etapas essenciais para transformar metas climáticas em resultados concretos nos territórios”, explica Vincenti.
O setor também precisará ampliar a qualificação de profissionais, a infraestrutura de armazenamento e beneficiamento de sementes, a logística de distribuição e o acompanhamento das áreas após o plantio.
Sem planejamento e manutenção, os projetos ficam mais sujeitos à mortalidade das mudas, ao avanço de espécies invasoras e à necessidade de replantio, elevando os custos da recuperação.
Compromissos climáticos podem ampliar demanda
Com a aproximação da COP31 e o avanço das metas ambientais assumidas por governos e empresas, a expectativa é de crescimento da demanda por restauração ecológica, reflorestamento e soluções baseadas na natureza.
O movimento poderá estimular investimentos em tecnologia, monitoramento, viveiros e serviços ambientais. Para o meio rural, a expansão representa uma oportunidade de conciliar regularização ambiental, conservação dos recursos naturais e geração de renda.
A capacidade de integrar produtores, empresas, governos, pesquisadores e comunidades será determinante para acelerar a recuperação das áreas degradadas e aproximar o Brasil da meta estabelecida para 2030.
Fonte: informações do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa e do programa Restaura Biomas.
