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Brasil precisa acelerar restauração para recuperar 12 milhões de hectares até 2030

Brasil possui 3,4 milhões de hectares em restauração e precisa chegar a 12 milhões até 2030. A meta deve ampliar a demanda por sementes, mudas, viveiros e serviços ambientais.

Redação Valor do Agro07/08/20264 min de leitura
Brasil precisa acelerar restauração para recuperar 12 milhões de hectares até 2030
Imagem ilustrativa gerada por IA

País possui 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação, mas ampliação dos projetos exigirá mais sementes, mudas, viveiros e assistência técnica

O Brasil estabeleceu a meta de recuperar pelo menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. O objetivo faz parte do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e amplia as oportunidades para produtores de sementes, viveiros, prestadores de serviços e profissionais especializados em restauração ambiental.

Atualmente, aproximadamente 3,4 milhões de hectares estão em processo de restauração no país. O volume corresponde a cerca de 28% da meta nacional, indicando que o ritmo das ações precisará aumentar nos próximos anos.

A recuperação de áreas degradadas vem ganhando importância diante dos compromissos climáticos assumidos pelo Brasil, da implementação de programas públicos e da crescente procura das empresas por soluções baseadas na natureza.

Restauração ambiental movimenta nova cadeia produtiva

O avanço dos projetos em larga escala depende da formação de uma cadeia capaz de fornecer sementes de espécies nativas, mudas, equipamentos, planejamento e conhecimento técnico.

O processo começa antes da implantação das mudas no campo. Entre as etapas estão a identificação de árvores matrizes, coleta e beneficiamento das sementes, rastreabilidade genética, produção nos viveiros, análise da área e seleção das espécies adequadas para cada ambiente.

Segundo o especialista em sustentabilidade Fernando Vincenti, o cumprimento das metas estabelecidas para 2030 dependerá da estruturação dessa cadeia.

“Os resultados que precisamos alcançar somente serão possíveis com projetos de restauração ambiental conduzidos com o conhecimento técnico adequado”, afirma.

Para o especialista, não basta aumentar a quantidade de mudas disponíveis. É necessário garantir diversidade genética, procedência dos materiais e compatibilidade das espécies com as características de cada território.

Programa prevê restaurar 600 mil hectares

Entre as iniciativas em andamento está o programa Restaura Biomas, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e executado em parceria com organizações da sociedade civil.

O programa prevê a restauração de 600 mil hectares e o manejo sustentável de outros 1,2 milhão de hectares. A estimativa é capturar 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono e beneficiar aproximadamente 150 mil pessoas.

Os projetos podem gerar oportunidades econômicas em diferentes regiões, principalmente para comunidades envolvidas com coleta de sementes, produção de mudas, implantação das áreas e monitoramento ambiental.

A restauração também pode favorecer a proteção do solo, a recuperação de nascentes, a formação de corredores ecológicos e a regularização ambiental de propriedades rurais.

Produção de mudas precisa ganhar escala

A capacidade dos viveiros será um dos pontos estratégicos para transformar as metas nacionais em ações concretas. A expansão deverá considerar não apenas o número de mudas, mas também a diversidade de espécies necessárias para recuperar os diferentes biomas brasileiros.

“Produzir mudas, monitorar matrizes, estruturar viveiros e executar projetos de restauração são etapas essenciais para transformar metas climáticas em resultados concretos nos territórios”, explica Vincenti.

O setor também precisará ampliar a qualificação de profissionais, a infraestrutura de armazenamento e beneficiamento de sementes, a logística de distribuição e o acompanhamento das áreas após o plantio.

Sem planejamento e manutenção, os projetos ficam mais sujeitos à mortalidade das mudas, ao avanço de espécies invasoras e à necessidade de replantio, elevando os custos da recuperação.

Compromissos climáticos podem ampliar demanda

Com a aproximação da COP31 e o avanço das metas ambientais assumidas por governos e empresas, a expectativa é de crescimento da demanda por restauração ecológica, reflorestamento e soluções baseadas na natureza.

O movimento poderá estimular investimentos em tecnologia, monitoramento, viveiros e serviços ambientais. Para o meio rural, a expansão representa uma oportunidade de conciliar regularização ambiental, conservação dos recursos naturais e geração de renda.

A capacidade de integrar produtores, empresas, governos, pesquisadores e comunidades será determinante para acelerar a recuperação das áreas degradadas e aproximar o Brasil da meta estabelecida para 2030.

Fonte: informações do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa e do programa Restaura Biomas.

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