Pinheiros fortalece o agro com diversidade, café de qualidade e união
Pinheiros combina agricultura diversificada, evolução da qualidade do conilon e união entre produtores, empresas e poder público para agregar valor e fortalecer o agro capixaba.

Município do extremo norte capixaba amplia seu protagonismo ao combinar produção diversificada, assistência técnica, organização do setor e iniciativas para agregar valor dentro da própria região
Há municípios que medem a força do campo apenas pelo volume produzido. Pinheiros começa a demonstrar que o desenvolvimento rural pode avançar por outro caminho: produzir com qualidade, diversificar atividades e criar condições para que uma parcela maior da riqueza permaneça no município.
A Pinheiros AgroShow tornou-se uma das principais vitrines desse movimento. A feira reúne produtores, empresas, instituições, lideranças rurais e poder público, mas sua expansão é resultado de uma base produtiva construída ao longo dos anos.
Por trás dos estandes, das palestras e dos negócios existe uma agricultura irrigada e diversificada, formada por culturas como café conilon, mamão, pimenta-do-reino, citros, mandioca e atividades ligadas à silvicultura.
Essa combinação ajuda a explicar por que Pinheiros ocupa um espaço cada vez mais relevante no agronegócio do Espírito Santo.
Concurso mostra evolução da qualidade do conilon
A transformação da cafeicultura é um dos exemplos mais visíveis dessa mudança.
O Concurso de Qualidade do Café de Pinheiros foi criado em 2019 com o desafio de incentivar os produtores a olhar além da produtividade. Na primeira edição, o café vencedor ainda não havia alcançado 80 pontos.
O avanço nos anos seguintes foi significativo. Em 2025, o campeão Alonzio Pereira Teixeira recebeu 86,50 pontos, conforme o resultado divulgado pela Prefeitura de Pinheiros.
Na sétima edição, realizada durante a Pinheiros AgroShow 2026, o concurso recebeu 37 amostras de 35 produtores. Sete dos dez finalistas alcançaram 82 pontos ou mais.
O primeiro lugar ficou com Ilca Lélia Souza Gonçalves, com 83,83 pontos. A produtora trabalha com o filho, Igor de Souza Gonçalves, no Assentamento Olinda 2, próximo ao distrito de São João do Sobrado.
Foi a terceira vitória da família na competição. O resultado demonstra que a evolução da qualidade não está restrita às grandes propriedades. Ela também acontece na agricultura familiar, quando experiência, formação técnica e dedicação ao manejo caminham juntas.
Os dados da edição foram divulgados em reportagem da Conexão Safra.
Próximo passo é transformar qualidade em valor
Produzir um café de qualidade é apenas parte do caminho. Para capturar uma parcela maior do valor gerado, o cafeicultor precisa avançar também sobre etapas como torra, moagem, embalagem, construção de marca e comercialização.
Durante a AgroShow, a Prefeitura de Pinheiros anunciou o compromisso de buscar recursos para uma minitorrefadora e equipamentos de moagem e embalagem.
A proposta é disponibilizar uma estrutura para que os produtores possam processar o café no próprio município e comercializá-lo com suas marcas. Atualmente, parte dos cafeicultores precisa recorrer a empresas de outras cidades para concluir essas etapas.
Ainda não foram divulgados o investimento necessário nem o cronograma de implantação. Portanto, a iniciativa precisa ser tratada como um projeto em fase de viabilização, e não como uma estrutura já disponível.
Se for concretizada, a minitorrefadora poderá aproximar o produtor do consumidor e ampliar as possibilidades de venda direta para mercados, cafeterias e outros estabelecimentos.
Diversificação amplia oportunidades no campo
A força de Pinheiros não depende exclusivamente do café. A presença de diferentes culturas reduz a exposição do município às dificuldades de uma única cadeia e permite que produtores encontrem alternativas conforme o clima, o mercado e as características de cada propriedade.
Essa diversidade também favorece a circulação de conhecimento. Tecnologias adotadas em irrigação, gestão, mecanização ou comercialização em uma atividade podem ajudar no desenvolvimento de outras cadeias produtivas.
Mais do que experimentar novas culturas, o produtor de Pinheiros demonstra disposição para adaptar tecnologias e tratar a propriedade como uma atividade econômica que precisa de planejamento.
Desenvolvimento depende da força do conjunto
Outro diferencial está na capacidade de reunir atores que nem sempre trabalham de forma coordenada.
Pequenos, médios e grandes produtores possuem realidades distintas, mas integram a mesma economia. Quando sindicatos organizam demandas, empresas investem, instituições oferecem capacitação, o poder público cria condições e os produtores adotam novas práticas, os resultados ultrapassam os limites das propriedades.
Essa articulação não elimina diferenças nem resolve automaticamente todos os desafios. Custos elevados, acesso ao crédito, riscos climáticos, mão de obra e comercialização continuam exigindo atenção.
A união, porém, aumenta a capacidade do município de buscar soluções, atrair investimentos e defender projetos de interesse coletivo.
AgroShow retrata uma transformação anterior à feira
A Pinheiros AgroShow é importante porque conecta negócios, informação e tecnologia. Seu maior significado, entretanto, talvez esteja na capacidade de revelar uma transformação que já acontece no campo.
O município está avançando da produção de matéria-prima para uma visão mais ampla de cadeia produtiva. O concurso melhora a qualidade. A assistência técnica leva conhecimento. A feira aproxima empresas e produtores. A futura estrutura de processamento pretende ajudar o café a chegar ao mercado com identidade própria.
Pinheiros ainda possui desafios pela frente, mas já compreendeu um princípio essencial: protagonismo no agronegócio não se constrói apenas com produção.
Ele nasce quando diversidade, conhecimento, organização e capacidade de agregar valor passam a fazer parte do mesmo projeto de desenvolvimento.
