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Máquinas autônomas da John Deere terão sensor 3D para operar em pomares

GUSS, subsidiária da John Deere, planeja incorporar sensor lidar 3D aos pulverizadores autônomos para ampliar a navegação e a detecção de obstáculos em pomares e vinhedos.

Tiago Francisco de Jesus26/08/20264 min de leitura
Máquinas autônomas da John Deere terão sensor 3D para operar em pomares
Imagem ilustrativa gerada por IA

GUSS planeja integrar lidar de nova geração aos pulverizadores autônomos para ampliar a identificação de árvores, linhas de cultivo, terreno e obstáculos em ambientes com poeira e vegetação densa

A GUSS Automation, subsidiária integral da John Deere, planeja incorporar sensores lidar de nova geração aos seus pulverizadores autônomos utilizados em pomares e vinhedos. A tecnologia deverá ampliar a capacidade das máquinas de interpretar o ambiente e identificar obstáculos durante as operações.

O equipamento escolhido é o Rev8 OS0, desenvolvido pela empresa norte-americana Ouster. O sensor produz representações tridimensionais do entorno e pode reconhecer troncos, linhas de cultivo, contornos do terreno e objetos localizados no caminho da máquina.

A integração foi anunciada para a próxima geração da frota de máquinas autônomas da GUSS. As empresas, entretanto, ainda não divulgaram uma data para o início da comercialização, resultados de testes em propriedades, valores ou previsão de disponibilidade da tecnologia no Brasil.

O projeto foi detalhado em comunicado oficial divulgado pela Ouster.

Como funciona o sensor lidar

A palavra lidar vem da expressão inglesa Light Detection and Ranging. O sistema emite pulsos de luz a laser e mede o tempo que eles levam para atingir uma superfície e retornar ao sensor.

A partir dessas medições, o equipamento calcula a distância dos objetos e cria uma nuvem formada por milhões de pontos. O conjunto reproduz em três dimensões elementos como plantas, troncos, galhos, solo, postes, pessoas e outras máquinas.

Essas informações são processadas pelo sistema de autonomia para ajudar o pulverizador a determinar sua posição, manter a trajetória entre as fileiras e reagir diante de um obstáculo.

Diferentemente de uma câmera convencional, o lidar não depende apenas de imagens em duas dimensões. Ele fornece diretamente informações de profundidade e distância, permitindo que o sistema avalie o espaço disponível para a passagem da máquina.

O sensor não deve ser interpretado como substituto isolado do GPS. A tendência é que diferentes tecnologias trabalhem de forma integrada, combinando posicionamento por satélite, lidar, câmeras, sensores de movimento e softwares de navegação.

Pomares criam desafios para máquinas autônomas

A operação autônoma em culturas permanentes apresenta dificuldades diferentes daquelas encontradas em grandes áreas abertas de grãos.

Árvores, copas densas, galhos baixos, ruas estreitas e terrenos irregulares podem limitar a visibilidade e dificultar a recepção dos sinais utilizados pelos sistemas de posicionamento por satélite.

Poeira, névoa produzida durante a pulverização, sombras e mudanças bruscas de luminosidade também podem interferir em alguns sensores. Ao mesmo tempo, a máquina precisa trabalhar próxima às plantas sem provocar colisões ou sair da linha de cultivo.

Em determinados locais, os sistemas convencionais de GPS podem não entregar sozinhos a precisão exigida. Tecnologias de correção de sinal conseguem alcançar maior exatidão, mas a presença de árvores e obstáculos físicos torna importante a utilização de sensores capazes de observar diretamente o ambiente.

Com o lidar, o pulverizador poderá utilizar troncos, fileiras e características do terreno como referências para sua localização. A nuvem de pontos também permite detectar mudanças no percurso que não estavam previstas em um mapa inicial.

Sensor possui campo de visão de 90 graus

O Rev8 OS0 utiliza a arquitetura L4 Ouster Silicon e combina informações tridimensionais de profundidade com cores nativas em alta faixa dinâmica.

De acordo com as especificações divulgadas pela Ouster, o modelo possui campo de visão vertical de 90 graus e pode gerar até 10,4 milhões de pontos por segundo.

A empresa informa alcance de 35 metros para objetos com 10% de refletividade e alcance máximo de até 250 metros. Na prática, a distância de detecção pode variar conforme a configuração, o tipo de superfície, as condições ambientais e a instalação realizada na máquina.

O equipamento foi projetado para aplicações externas e deverá lidar com situações comuns nos pomares, como presença de poeira, vegetação densa, pulverização e variações de iluminação.

Ainda será necessário avaliar como o conjunto se comportará durante longos períodos de operação no campo. Acúmulo de sujeira, gotas sobre a superfície do sensor, vibração, manutenção e calibração são fatores que podem influenciar o desempenho de sistemas de percepção.

Um operador pode acompanhar até oito máquinas

A GUSS desenvolve pulverizadores autônomos para culturas permanentes. Entre os modelos comercializados pela empresa estão o Orchard GUSS, destinado a pomares de maior porte, e o Mini GUSS, utilizado em áreas com espaçamentos menores, incluindo vinhedos.

Segundo a fabricante, um único profissional pode acompanhar uma combinação de até oito pulverizadores simultaneamente por meio de um notebook. O operador monitora o andamento do serviço e pode intervir se o sistema identificar uma situação que exija atenção.

Essa capacidade de monitoramento já é apresentada pela GUSS em suas máquinas atuais e não deve ser atribuída exclusivamente ao novo sensor. A incorporação do lidar pretende ampliar a percepção e a confiabilidade da navegação nas próximas versões.

As informações sobre o funcionamento da frota estão disponíveis no site oficial da GUSS Automation.

Embora sejam chamadas de autônomas, as máquinas continuam exigindo planejamento da operação, abastecimento, manutenção, acompanhamento remoto e definição dos parâmetros de pulverização.

Pulverização será a primeira aplicação

O uso inicial do Rev8 OS0 está previsto para os pulverizadores Orchard GUSS e Mini GUSS. A empresa também avalia aproveitar a mesma arquitetura de autonomia em outras operações realizadas dentro de pomares e vinhedos.

A tecnologia poderá abrir caminho para equipamentos capazes de executar diferentes atividades utilizando mapas tridimensionais e sistemas de detecção de obstáculos. A GUSS, contudo, ainda não informou quais operações serão priorizadas nem quando novas máquinas poderão chegar ao mercado.

O avanço acompanha a busca por soluções capazes de reduzir a exposição direta dos trabalhadores durante a aplicação de produtos, enfrentar a escassez de mão de obra e ampliar a regularidade das operações.

A automação não elimina a necessidade de profissionais. Ela modifica a função do operador, que deixa de conduzir individualmente cada máquina e passa a acompanhar a frota, analisar alertas e tomar decisões sobre o trabalho realizado.

Adoção dependerá de custo e desempenho no campo

Apesar do potencial, o anúncio representa um plano de integração tecnológica, e não a confirmação de que o equipamento já esteja disponível comercialmente nas máquinas da GUSS.

A adoção pelos produtores dependerá de fatores como preço, confiabilidade, facilidade de manutenção, disponibilidade de assistência técnica e capacidade de funcionar em diferentes culturas e condições de terreno.

Também será necessário observar como o sistema diferencia plantas, pessoas, animais, equipamentos e outros obstáculos durante situações reais de pulverização.

A ausência de informações sobre preço e lançamento ainda impede calcular o impacto econômico da novidade. O ganho efetivo deverá ser medido pela redução de interrupções, melhoria da precisão, capacidade operacional, custos de manutenção e segurança alcançada nas propriedades.

Se os resultados previstos forem confirmados, a combinação entre lidar, posicionamento por satélite e softwares de autonomia poderá tornar as máquinas mais preparadas para trabalhar em ambientes agrícolas complexos, nos quais apenas seguir coordenadas de GPS não é suficiente.

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