Nova mandioca IAC 139 produz 25% mais e aumenta rendimento da indústria
Nova mandioca IAC 139 produz 25% mais, possui 41% de matéria seca e pode ser colhida entre 10 e 13 meses, ampliando o rendimento na fabricação de farinha, polvilho e fécula.

Cultivar apresenta elevado teor de matéria seca, colheita precoce e resistência à bacteriose; ciclo varia de 10 a 13 meses
O Instituto Agronômico (IAC) lançou uma nova cultivar de mandioca destinada ao processamento industrial. Denominada IAC 139, a variedade apresenta produtividade média 25% superior à dos materiais atualmente disponíveis e reúne características que podem aumentar a eficiência na fabricação de farinha, polvilho e fécula.
A nova mandioca possui 41% de matéria seca nas raízes. Desse total, entre 80% e 85% correspondem ao amido, enquanto as fibras representam de 1% a 2%. A elevada concentração desses componentes favorece o aproveitamento da matéria-prima e amplia o rendimento das indústrias.
O nome da cultivar homenageia os 139 anos do Instituto Agronômico, celebrados em junho.
Raízes claras e resistência à bacteriose
Além da produtividade e do teor de matéria seca, a IAC 139 produz raízes com casca e polpa claras, características valorizadas pela indústria por influenciarem a aparência e a qualidade dos produtos processados.
Segundo o pesquisador José Carlos Feltran, do IAC, o desenvolvimento também considerou a resistência à bacteriose, considerada a principal doença da cultura da mandioca.
A bacteriose pode provocar manchas nas folhas, murchamento, queda da folhagem e morte dos ramos, comprometendo o desenvolvimento das plantas e a produtividade das lavouras.
Colheita pode começar após dez meses
A precocidade é outro diferencial da IAC 139. O ciclo entre o plantio e a colheita varia de 10 a 13 meses, permitindo ao produtor antecipar a retirada das raízes e organizar melhor o fornecimento de matéria-prima às unidades processadoras.
A combinação de ciclo mais curto e rendimento elevado pode melhorar o aproveitamento da área, reduzir o tempo de exposição da lavoura aos riscos climáticos e fitossanitários e trazer maior previsibilidade ao planejamento da propriedade.
Cultivar é indicada para três estados
A IAC 139 foi desenvolvida para as regiões produtoras de mandioca industrial de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
No território paulista, o cultivo destinado à indústria ocupa aproximadamente 70 mil hectares. A produção está concentrada principalmente no Médio Paranapanema, próximo à divisa com o Paraná, região onde as cultivares desenvolvidas pelo IAC já possuem forte presença.
Em âmbito nacional, Pará, Bahia, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul também se destacam na produção da raiz. O Brasil cultiva mandioca em aproximadamente um milhão de hectares e produz cerca de 20 milhões de toneladas por ano.
De acordo com o pesquisador, diferentes cultivares são utilizadas conforme as condições de cada região. No Centro-Sul, destacam-se materiais como IAC 14, IAC 90, IAC 118-95, IPR Paraguainha, IPR B36 e BRS CS01.
Pesquisa começou em 2012
O trabalho que deu origem à IAC 139 começou em 2012, a partir do cruzamento em campo das cultivares IAC 14 e Fécula Branca.
Entre os milhares de clones obtidos, os pesquisadores selecionaram inicialmente o material identificado como IAC 19-12. A escolha ocorreu após vários anos de avaliações em diferentes locais, considerando produtividade, qualidade das raízes, rendimento industrial e resistência a doenças.
Após reunir os resultados esperados, o material recebeu o nome IAC 139 e foi incluído no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura e Pecuária.
A nova variedade amplia as alternativas disponíveis aos produtores e às indústrias, com potencial para elevar a produtividade no campo e melhorar o aproveitamento da mandioca na fabricação de farinha, polvilho e fécula.
Fonte: Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Apta e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
